CAMPO ABERTO – A razão para o Brasil buscar ampliação de parceria com a Índia

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o presidente Jair Bolsonaro cumprem nos próximos dias agenda de compromissos na Índia. O país de dimensões continentais e população acima da casa do bilhão será o primeiro destino a ser visitado por comitiva do governo federal em 2020. A escolha do roteiro reflete o interesse brasileiro em estreitar relações comerciais com a nação asiática.

Por razões que vão desde o ritmo de crescimento da economia indiana, passando pelo potencial de consumo, há terreno fértil a ser explorado.

– O Brasil está se voltando totalmente para a Ásia, o que é uma visão correta. Essa será uma missão de verificação de ambiente – avalia Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), que integra a comitiva como diretor de Relações Internacionais da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa indústrias de aves e suínos, o país representa oportunidade.

– É um mercado que vai crescer, ficar grande – afirma Ricardo Santin, diretor-executivo da entidade, que também participará da viagem.

O consumo anual per capita de frango na Índia, por exemplo, é inferior a cinco quilos por pessoa, bem abaixo dos 42,6 quilos do Brasil. Mas há previsão de crescimento para 9,1 quilos até 2030. Quando esse valor é multiplicado pela população, que deve chegar naquele ano a 1,39 bilhão de pessoas, o volume é significativo.

O país asiático já está aberto a produtos brasileiros. Mas a sobretaxa aplicada pelo governo local é de 100%, o que na prática torna os negócios inviáveis – as vendas somam só um contêiner. Não por acaso, o roteiro inclui, na quinta-feira, seminário de promoção de carne de aves e suínos.

– É para sensibilização e conexão comercial, mas, também, para a gente tentar que o governo reduza tarifas. Há ainda dificuldades de emissão das licenças de importação – explica Santin.

A Índia poderá ainda ocupar espaço quando a China, hoje assolada pela peste suína africana, recompor o rebanho e reduzir o ritmo de importação. Os chineses foram, no último ano, os principais compradores de suínos produzidos no Brasil.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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