CAMPO ABERTO – A MANGA E O SUBSÍDIO AGRÍCOLA NO BRASIL

Das muitas coisas que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse em audiência pública na Câmara dos Deputados, o que ficou para o grande público foi a frase não passamos muita fome porque temos manga nas nossas cidades. A sentença, parte de declaração mais longa, ganhou destaque na mídia.

Quem assiste o vídeo e ouve o trecho em que a informação aparece, sabe que a ministra está usando a manga apenas como uma comparação. É claro que ninguém vive de manga e que a fruta não é algo que se encontra em cada esquina nas cidades.

A citação é referência à condição privilegiada do Brasil na produção de alimentos, em contraste com países como os da Europa.

– Eles têm muito apreço por seus produtores e dão subsídio com a maior boa vontade do mundo. A sociedade sabe que dá. Por quê? Porque precisam ter estoque, têm medo que passem a ter problemas de fome em seus países – disse ela.

A sessão buscava esclarecer critérios para a liberação de agrotóxicos no Brasil. E no meio da discussão chegou ao tema do subsídio do governo à produção.

– A Europa enfrentou duas guerras no mesmo século. Houve fome avassaladora, que fez da comida algo tão importante como as armas. O continente vê a questão da independência alimentar como questão estratégica – reforça Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

O Brasil, acrescenta, gasta "valor muito pequeno com o setor primário": 0,6% do orçamento da União, considerando agricultura empresarial e familiar. Apesar disso, o foco não deve ser montante, diz:

– Temos de debater se o subsídio que tem é eficiente ou não.

Hoje, só 32% do orçamento é o que realmente chega ao produtor rural, explica o economista.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora