Campanha defende redução dos custos de pedágios na Região Sul

Para o porto de Rio Grande ficar mais competitivo, há custos que precisam ser revistos e que não ficam restritos à atividade portuária, sustenta o superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima. Uma bandeira defendida pelo dirigente é a necessidade de diminuir o preço dos pedágios no entorno do complexo rio-grandino. Nesse sentido, sindicatos e associações de diferentes segmentos empresariais de Rio Grande e de Pelotas iniciaram uma mobilização pela redução do preço cobrado nas cinco praças de pedágio das BRs 116 e 392, no Sul do Estado.

A campanha Pedágios, Reduzir para Crescer foi lançada na sexta- feira (10) em uma videoconferência com lideranças políticas e empresariais da região, seguida de adesivagem de caminhões.

Estima enfatiza que o próprio Tribunal de Contas da União (TCU) já indicou que os valores praticados estão acima do que deveriam. Segundo a assessoria do porto de Rio Grande, em abril o TCU concluiu uma auditoria nos contratos de pedágio da região Sul apontando que, se nada fosse feito, o lucro indevido da concessionária poderia chegar a R$ 800 milhões até 2026, ano em que acaba o contrato atual. Após a auditoria, o TCU determinou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a revisão dos preços em até 60 dias. O prazo expirava em junho, porém, a ANTT recorreu da decisão.

Outra medida que pode aumentar a competitividade do porto de Rio Grande diz respeito a benefícios fiscais. O superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul revela que o governador Eduardo Leite deverá encaminhar ainda neste ano uma lei, cuja vigência deve valer para 2021, quanto a incentivos para a importação de produtos que não "colidam" com artigos fabricados pela indústria gaúcha. Com essa iniciativa, a expectativa é que cheguem a Rio Grande uma quantidade maior de contêineres cheios e diminua o número de recipientes vazios que precisam ser trazidos apenas para a exportação.

"Isso interessa à exportação do Rio Grande do Sul, porque acaba que os exportadores estão pagando o frete de ida e de volta", destaca Estima. Entre os produtos importados que poderão ser beneficiados, o superintendente aponta itens do setor metalmecânico, da indústria moveleira e químicos. Sobre a operação do porto gaúcho, o coordenador da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e da Hidrovias RS, Wilen Manteli, confirma que o agronegócio, apesar das dificuldades ocasionadas com a pandemia, tem contribuído para movimentar os portos nacionais, em particular o de Rio Grande. Quanto aos reflexos que a cobrança de pedágio praticada nas rodovias próximas implica ao complexo gaúcho, Manteli sugere que uma opção para "driblar" esse problema seria o maior uso das hidrovias.

Fonte: Jornal do Comércio