Campanha de vacinação contra febre aftosa é lançada em Cristal

Expectativa é imunizar 13,3 milhões de cabeças de gado bovino e bubalino

Campanha de vacinação contra febre aftosa é lançada em Cristal Marcel Avila/Especial

O vice-governador Beto Grill vacinou alguns animais em uma propriedade de Cristal Foto: Marcel Avila / Especial

Júlia Otero

julia.otero@zerohora.com.br

A primeira etapa da campanha de vacinação contra febre aftosa foi lançada nesta quarta-feira por volta das 10h30min, em Cristal, pelo vice-governador Beto Grill. A expectativa é imunizar 13,3 milhões de cabeças de gado bovino e bubalino e 75 mil búfalos. Desses, 5,1 milhões devem ser vacinados de graça. A doação é do governo do Estado para pecuaristas familiares e pequenos produtores enquadrados nos critérios do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), cujo investimento é de R$ 7,5 milhões e cerca de mais R$ 1 milhão em mão de obra.

Os critérios para gratuidade são, entre outros, ter produção familiar, ter até cem cabeças e até quatro módulos fiscais. Para ganhar as vacinas, é preciso procurar as inspetorias veterinárias (IVZ’s) da região. Aliás, a principal novidade neste ano é a antecipação do prazo para a retirada das vacinas doadas nas IVZ’s. Antes, o período coincidia com o da vacinação, de 1° a 31 de maio. Agora, a retirada das vacinas pode ser realizada antes, a partir do dia 29 de abril e encerra no dia 24 de maio. O objetivo da antecipação é liberar os técnicos das IVZ’s para acompanhar os últimos dias da vacinação mais perto dos produtores. Para quem não está enquadrado nos programas sociais, a compra das vacinas deve ser feita nas casas agropecuárias. O preço médio é de R$ 1,30.

— Precisamos cumprir a meta de vacinar mais de 90% do nosso rebanho para garantir a sanidade animal. Até porque qualquer foco novo pode acarretar não somente em uma perda para o setor, mas também restrições na exportação de grãos, aves e suínos — explica Grill.

As vacinas foram feitas em cinco fábricas particulares do Brasil e todas foram enviadas para uma central em São Paulo. Neste momento, das 13,3 milhões de doses que são esperadas para o Rio Grande do Sul, apenas 1 milhão ainda não está no Estado por falta de local para armazenar. As doses se encontram em Porto Alegre e Pelotas, prontas para serem enviadas para agropecuárias e locais de distribuição. Segundo o coordenador do programa de febre aftosa do Estado, Fernando Groff, não há possibilidade de falta do produto.

O local escolhido para lançamento da campanha foi a Fazendo Vitória dos produtores rurais Alberto Graeff, 36 anos e Eduardo Anastasi, 43 anos. Os dois tem cerca de mil animais da raça holandesa e a produção varia entre 25 a 30 mil litros por dia. A propriedade deles se diferencia pelo perfil tecnológico:

— Temos nossa produção computadorizada e informatizada, é tudo feito por máquinas. Enquanto o leite é tirado, já temos informações sobre a qualidade dele nas máquinas. Além disso, contamos com um laboratório particular dentro da fazenda para trabalhar a genética, com coleta e transferência de embriões — explica Graeff, que acrescenta que além da vacinação contra aftosa, os animais tem um cronograma específico para diversos tipos de imunizações para sanidade animal.

A segunda etapa é durante todo mês de novembro, para animais com até 24 meses de vida.

— É importante vacinar novamente esses animais porque eles são os mais frágeis e suscetíveis a doenças — informa o coordenador do programa de febre aftosa do Estado, Fernando Groff.

Segundo Groff, desde 2001 não há casos de aftosa no Rio Grande do Sul. A questão da retirada da vacinação, segundo Groff, ainda não foi discutida pela cadeia. Alguns países como Japão, Coréia do Sul e Tailândia são livres de aftosa sem vacinação e não comercializam com o Brasil por vacinar os animais. A retirada da vacinação ampliaria o mercado. Geralmente o período de retirada da vacinação é de cinco a dez anos depois do último foco, mas no momento, de acordo com Groff, não há perspectiva de acabar com a vacinação:

— Depois de tomada a decisão, ainda seria preciso aguardar cerca de dois anos com outras maneiras de combater um possível foco. Por enquanto, vamos continuar investindo na prevenção.

A opinião é compartilhada pelo vice-governador:

— Seria uma grande meta estar livre da aftosa sem vacinação, mas por enquanto vemos que é mais adequado pecar por excesso e continuar vacinando. Porém nossos técnicos estão constantemente estudando essa possibilidade para que quando a tomemos, haja muito cuidado e seja uma decisão acertada.

Fonte: Zero Hora

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