Caminho aberto para o novo conselho da BRF

Nome de consenso para a presidência do novo conselho de administração da BRF, Pedro Parente deve ter hoje o único dia "fácil" de sua trajetória na companhia. Ele deve ser eleito com tranquilidade pelos acionistas presentes na assembleia que começa às 11 horas, em Itajaí, Santa Catarina.

Ontem, a gestora Aberdeen, que tem 5% das ações da BRF, retirou o pedido de adoção do voto múltiplo na assembleia. Com isso, abriu caminho para a eleição da chapa acordada entre os fundos Petros e Previ, Abilio Diniz e a gestora Tarpon. A chapa é encabeçada por Parente, presidente da Petrobras, e tem Augusto Cruz como vice-presidente.

A partir de amanhã, porém, os desafios para resgatar a empresa, dona das marcas Sadia e Perdigão, devem se impor – e com senso de urgência. A expectativa de quem acompanha as negociações em torno do novo conselho é que Parente já lidere uma reunião do conselho e comece a dar um novo norte à companhia.

Dentre as tarefas mais delicadas e urgentes está a definição do novo CEO. Na segunda-feira, José Aurélio Drummond, que ocupava o cargo desde dezembro, renunciou, em um saída que foi vista como a antecipação de uma demissão inevitável.

Drummond, que se viabilizou como CEO com o voto de "minerva" de Abilio, acumulou divergências com Petros e Previ. Os fundos de pensão são os maiores acionistas da BRF e lideraram o processo para destituir Abilio e renovar o conselho.

No mercado, espera-se que Parente aja rápido. Entre analistas, não está claro qual o perfil desejado para o executivo que cuidará da gestão da BRF no dia a dia. Caberá a Parente chegar a um acordo sobre isso com os demais novos conselheiros da companhia que serão eleitos hoje.

Dadas as dificuldades da BRF nas áreas financeira e operacional, há quem prefira que o novo CEO seja alguém com experiência em agroindústrias – sobretudo as de carne de frango -, o que reduz o tempo de aprendizado para lidar com a crise.

Nesse caso, o problema é que os nomes são escassos ou estão empregados na Seara, da JBS, principal rival da BRF. Na lista de nomes com experiência e sem função executiva no momento está o de José Antonio Fay, que presidiu a BRF entre 2009 e 2013. Outro nome lembrado por analistas é o do consultor Enéas Pestana, que já presidiu o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e comandou as operações da JBS na América do Sul.

Mas a opção do novo conselho de administração poderá ser partir para um processo de contratação como o do ano passado, que resultou na chegada de Drummond. Esse processo foi conduzido pela empresa de recrutamento SpenceStuart, e dois nomes disputaram o cargo: Drummond e Roberto Funari, vice-presidente da Reckitt Benckiser. Ambos os executivos não tinham experiência na agroindústria de carnes.

Mas também será um desafio convencer o novo escolhido a assumir o cargo. Um respeitado executivo de agroindústria disse que, enquanto muitas empresas oferecem "uma cenoura na ponta da varinha" para estimular o executivo a aceitar e permanecer no posto, a BRF terá que oferecer "um balde de cenoura" logo de cara, já que o desafio é grande. "A pessoa vai precisar correr uma maratona em uma velocidade de 100 metros rasos". Ele afirmou que, para assumir o cargo, o executivo precisará de carta branca para nomear e criar os cargos que achar melhor, sem interferência dos acionistas.

Por Luiz Henrique Mendes e Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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