Camil prestes a fechar outra aquisição

Em meio a um agressivo movimento de expansão no Brasil e no exterior, a gaúcha Camil Alimentos, maior beneficiadora de alimentos da América Latina, fez uma proposta para adquirir, por R$ 45 milhões, ativos e marcas da fluminense Carreteiro Alimentos, em recuperação judicial. A proposta, já aprovada por credores da Carreteiro, tramita na 7ª vara empresarial do Rio de Janeiro e deverá ser apreciada nos próximos dias.

Se o negócio for efetivado, será a terceira aquisição da Camil somente neste ano. Em 2011, a empresa também comprou outras três empresas. Além do anúncio, em maio, da incorporação da Cosan Alimentos, divisão de açúcar de varejo da Cosan S.A., a Camil também informou em julho a compra da totalidade das ações da peruana Ormus, que comercializa no país vizinho arroz e feijão da marca Hoja Redonda.

Atualmente, a Camil detém 11 unidades de beneficiamento de grãos no Brasil, número que pode subir para 12 se a Carreteiro for, de fato, incorporada. Detém, ainda, dez beneficiadoras no Uruguai, três no Chile e, com a Ormus, duas empresas no Peru. Segundo informações do site da companhia, a atual produção da Camil é de cerca de 18,6 milhões de toneladas de grãos.

Somente com a Cosan Alimentos, a receita líquida da Camil, que foi de R$ 1,783 bilhão em 2011, poderá se aproximar de R$ 3 bilhões, uma vez que o faturamento (Pro forma) da recém-incorporada foi de R$ 941,6 milhões no exercício findo em 31 de março deste ano. Pelos termos do acordo, a Cosan, que recebeu R$ 345 milhões pela venda, terá também uma participação de 11,72% no capital da Camil, enquanto o bloco de controle da Camil ficará com 60,25% e o Gávea Investimentos, com 28,03%.

Já a Carreteiro Alimentos teve em 2010 receita de R$ 200 milhões. Em 2011, esse desempenho recuou para níveis próximos de R$ 110 milhões, já reflexo das dificuldades financeiras que culminaram na recuperação judicial da empresa, aprovada pela Justiça em fevereiro deste ano.

A Carreteiro tem uma unidade industrial no bairro de Campo Grande, na cidade do Rio de Janeiro, com capacidade instalada para beneficiar em torno de 1,5 mil toneladas de alimentos por dia. Além de arroz e feijão, também comercializa café, farinhas e azeitonas. "A empresa é líder no mercado de arroz do Estado", complementou o administrador judicial da Carreteiro nomeado pela 7ª vara empresarial do Rio de Janeiro, Cleverson de Lima Neves. Ele acrescentou que apenas a marca de azeite Picnic não faz parte da negociação com a Camil.

Ele confirma que a proposta de venda da Carreteiro para a gigante de alimentos já foi aprovada pela maioria dos credores da empresa. "Dois bancos e outros três credores discordaram. Mas 86 aprovaram", diz Neves. A decisão de venda também foi aprovada pelo Ministério Público Estadual, segundo o administrador judicial. "Agora falta a Justiça se pronunciar, o que deve ocorrer entre quinta-feira desta semana e a próxima segunda-feira". A Carreteiro tem dívidas de R$ 70 milhões.

Ao Valor, o diretor-presidente da Camil, Luciano Maggi Quartiero, confirmou que a empresa fez a proposta, mas afirmou que ainda não é líquido e certo que a aquisição se efetivará, pois há trâmites previstos no plano de recuperação judicial da Carreteiro para serem cumpridos.

A decisão de propor a compra dos ativos da empresa fluminense foi aprovada em reunião do conselho de administração da Camil em setembro deste ano.

Fundada em 1963 como uma cooperativa agrícola na cidade gaúcha de Itaquira, a Camil tornou-se uma sociedade anônima em 1996. Há cinco anos, iniciou um plano de crescimento com aquisições no brasil e no exterior. Somente em arroz, a empresa soma capacidade para beneficiar 1,3 milhão de toneladas de grãos, posição alcançada após a compra, em 2007, da sua concorrente uruguaia Saman, na época por US$ 160 milhões.

Em 2009, a Camil adquiriu a Tucapel, líder em beneficiamento de arroz no Chile. Já em setembro de 2010, comprou o complexo industrial produtor de arroz da BB Mendes, no Estado do Maranhão, tornando-se proprietária da marcas Bom Maranhense e Mais Saboroso.

Em 2011, entrou no segmento de pescados em conserva com a aquisição da catarinense Femepe, dona das marcas Alcyon e Pescador e, no ano passado, comprou a marca de pescados Coqueiro, pertencente à americana PepsiCo. No mesmo ano, comprou a Compañia de Alimentos da América (Cada), líder em vendas de arroz e leguminosas, como feijão e ervilhas no Peru, com faturamento anual de US$ 52 milhões.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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