Camex zera TEC de mais 600 mil t de trigo

Temendo desvalorização, produtores exigem que governo reverta decisão

Com a colheita de trigo a todo vapor, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou importação de uma cota adicional de 600 mil toneladas de trigo com TEC zerada até 30 de novembro. Publicada ontem no Diário Oficial, a medida gerou revolta entre produtores que temem ter a safra do grão (hoje em R$ 40,00/sc) desvalorizada. Com a decisão, o Brasil liberou a tarifa (10%) de 3,3 milhões de toneladas de trigo só neste ano. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, a cota foi ampliada por causa da escassez nos mercados brasileiro e argentino devido a problemas climáticos. Segundo a Camex, o mercado continuará sendo monitorado para avaliar futuros aumentos na cota, mas garantiu que resguarda o interesse dos agricultores.

Para tentar barrar nova injeção de grãos no mercado nacional, a Fecoagro encaminhou ao Ministério da Agricultura (Mapa) pedido de revogação da medida, alegando que há vários anos os produtores pedem a valorização da produção nacional. O documento também destaca a dificuldade com a logística para colocar o grão no mercado. O superintendente da Fecoagro, Tarcísio Minetto, esperava o anúncio só após a comercialização da safra brasileira. ‘O governo tem que ser mais criativo ao buscar alternativas de apoio ao consumidor sem colocar na conta do produtor’, afirma.

O presidente do Sinditrigo, José Antoniazzi, disse que a medida veio em hora errada e que foi ‘um balde de água fria’. Com 15% da safra colhida no RS, o agrônomo Claudio Doro, assistente técnico da Emater, entende que a medida serve para as regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, onde há desabastecimento, ao contrário da região Sul. ‘O bom seria não isentar nada e valorizar o produto interno’, frisa.

Fonte: Correio do Povo

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