Calor eleva preços de hortaliças em SP

Adi Leite/Valor
Comércio na Ceagesp: tendência é que as cotações de verduras e legumes demorem mais tempo para se “acomodar”

O forte calor e a falta de chuvas em São Paulo estão provocando reajustes nos preços de legumes e verduras comercializados na Ceagesp, o maior entreposto comercial do país. Dados prévios do mês de janeiro apontam alta de 9,18% nos preços dos legumes e de 8,47% nos das verduras.

As maiores elevações no período de 1º a 23 de janeiro foram verificadas no chuchu e na berinjela (ambos com alta de 45% em relação ao mesmo intervalo de dezembro), no pepino comum (47%) e na ervilha torta (42%). Entre as verduras, os destaques foram o brócolis (alta de 70%), alface (58%), salsa (76%), rúcula (57%) e couve (47%).

Segundo o economista da Ceagesp, Flavio Godas, o calor excessivo provocou o efeito contrário nos tomates, que no passado recente foram classificados como os “vilões” da inflação. O segmento registrou retração de 4% no preço nos 23 primeiros dias de janeiro.

“O excesso de calor tem provocado o amadurecimento rápido do tomate, e isso tem acarretado em uma sobreoferta”, afirmou ao Valor PRO, serviço de tempo real do Valor. “Mas isso pode significar que uma hora vai faltar tomate no mercado e os preços vão subir”, disse.

Segundo ele, a tendência de preços mais altos no início do ano é normal, já que se trata de um período de calor e temporais, duas condições climáticas que tendem a afetar a produção e a elevar preços. As altas verificadas, portanto, estão dentro do esperado pelo setor.

A diferença, desta vez, está na forte estiagem e na expectativa de que o governo paulista imponha restrições ao uso de água na irrigação no Estado. Na semana passada, o secretário da Agricultura, Arnaldo Jardim, disse ao Valor que haverá limitações ao uso da água e que pivôs centrais ineficientes serão desativados.

Normalmente, há uma acomodação de preços a partir do mês de março, quando o clima fica mais ameno. Mas, no atual cenário, essa acomodação deverá demorar mais para ocorrer este ano. Ou seja: as hortaliças deverão continuar mais caras por mais tempo que o comum, e não só em São Paulo. Minas Gerais, que produz boa parte das cenouras que chegam à Ceagesp, e Rio de Janeiro, que fornece hortaliças a outros Estados, também sofrem com a seca.

Maior varejista do país, o Grupo Pão de Açúcar afirma que tem conseguido manter as lojas Extra e Pão de Açúcar do Estado abastecidas em folhagens e legumes, salvo exceções pontuais. A companhia diz, no entanto, ter organizado um grupo multidisciplinar para estudar os impactos da crise hídrica.

Segundo Adriana Molinari, economista da Tendências Consultoria, o recuo nos preços desse segmento ocorreu nos últimos anos a partir de abril. Com o cenário de escassez hídrica, há o risco de contágio dos alimentos na inflação – embora a consultoria ainda não esteja levando em consideração o setor em suas estimativas, devido à alta volatilidade desses culturas. A alimentação no domicílio responde por 16,12% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A seca que prejudica as lavouras paulistas também afeta os pastos e, consequentemente, a criação de gado bovino em todo o país desde o ano passado. Segundo o Índice de Custo de Vida por Classe Social, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a carne bovina subiu 22% em 2014. A maior alta foi registrada na costela de boi, que subiu 29,56%.

Fonte: Valor | Por Bettina Barros e Fernanda Pressinott

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