Cafeterias têm expansão customizada

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Marco Kerkmeester, do Santo Grão: R$ 1,6 milhão para uma nova expansão

Redes de cafeterias consolidadas estão revendo planos de expansão via franquias e lojas próprias. Sai de cena o padrão de pontos idênticos e ganham força os projetos de lojas diferentes, adaptadas à localização, público e faixas de consumo.

A Suplicy Cafés Especiais deve abrir cinco casas em 2018 e o Santo Grão planeja um investimento de cerca de R$ 1,6 milhão para uma nova expansão, nos próximos cinco anos. A Havanna mira as regiões Norte e Nordeste.

Com uma rede de 14 unidades franqueadas e cinco próprias em três Estados e no Distrito Federal, o objetivo da Suplicy é entregar lojas cada vez mais diferentes umas das outras, respeitando critérios como espaço físico e demanda de consumo. A marca existe há 14 anos e iniciou o modelo de franquias há sete.

"No longo prazo, o modelo de lojas idênticas se provaria ineficaz", explica o CEO Felipe Braga. Cada região e público deve ter um ponto com DNA próprio, afirma. "As franquias fazem parte do plano de expansão, mas precisam ser inseridas em um contexto correto."

Em 2017, a empresa abriu apenas uma franquia. Repensou o padrão dos produtos e convocou novos fornecedores. Este ano, com o término da reestruturação da área, a ideia é inaugurar mais cinco lojas. A mudança já pode ser vista em três locais abertos em São Paulo, todos próprios.

O ponto da Vila Olímpia, inaugurado no ano passado no complexo São Paulo Corporate Towers, ganhou um salão de 105 metros quadrados. Em 2018, foi a vez da unidade no Farol Santander, no alto do Edifício Altino Arantes, no centro da cidade, com capacidade para 70 pessoas. No início de março, assumiu o café do Mirante 9 de Julho, na região da Avenida Paulista.

Com a oferta de grãos brasileiros de fazendas de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, a marca conta com seis torras ou sabores principais de produtos. Também vende café em cápsulas, solúvel e gelado. O tíquete médio nas lojas é de R$ 18.

Em 2018, a meta é investir 50% a mais do aplicado no ano passado, diz Braga, sem revelar valores. A previsão de aumento da receita nas lojas franqueadas é de 24%. No segundo semestre de 2017, a receita média nos pontos de terceiros subiu 20%, comparado ao primeiro semestre do ano.

Segundo o executivo, o fluxo de clientes e o valor do tíquete médio sofreram pouco com a crise, mas a recessão não deixa de afetar os negócios. "Se a taxa de juros sobe, passa a ser mais interessante deixar o dinheiro aplicado do que empreender em uma franquia." O valor do investimento em um ponto da marca é a partir de R$ 450 mil.

No Santo Grão, em operação desde 2003, o faturamento de 2017 alcançou R$ 34,4 milhões, quase 3% de aumento em relação ao ano anterior. A expectativa para 2018 é crescer 6%, segundo o fundador e CEO Marco Kerkmeester. "Como não temos planos de abrir lojas em 2018, estamos colhendo os resultados dos investimentos."

O objetivo é investir cerca de R$ 1,6 milhão para se preparar para uma nova expansão, nos próximos cinco anos. Parte do aporte vai para a implementação de um bar de experiências de cafés na unidade da rua Oscar Freire, em São Paulo.

A rede, que oferece ambientes para cafés, restaurantes e "lounges" em São Paulo e Curitiba (PR), tem seis unidades franqueadas, todas em sociedade com ex-funcionários, e duas casas próprias, sendo uma com outros sócios. Kerkmeester explica que o acordo feito com os franqueados não é o tradicional do mercado.

"O contrato facilita inovações e melhorias, não padronizações." No cardápio, oferece seis blends de cafés principais, além de 43 formas diferentes de servir a bebida. O tíquete médio vai de R$ 25 a R$ 74.

Na Havanna, nascida há mais de 70 anos na Argentina, o momento é de pisar no acelerador. A rede com 47 unidades franqueadas e cinco pontos próprios tem implantações em andamento em oito Estados, como Amazonas e Rondônia. Lançou 20 lojas em 2017 e, até dezembro, pretende abrir mais de 50 franquias. "Vamos ampliar a participação no Norte e Nordeste", avisa o diretor Diego Hernán Schiano. O investimento total em um ponto começa em R$ 300 mil.

Por Jacilio Saraiva | Para o Valor, de São Paulo

Fonte : Valor