Cafeicultura embala vendas da Pinhalense

Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
A partir do crescimento do número de pedidos de orçamento, muitos de secadores (foto), Reymar Coutinho de Andrade, da Pinhalense, acredita em um bom 2013

Feitos de madeira e movidos a vapor ou, em alguns raros casos, motor elétrico. Há mais de 60 anos, assim eram os primeiros equipamentos para beneficiamento de café fabricados pela Pinhalense Máquinas Agrícolas, localizada em Espírito Santo do Pinhal, na Mogiana paulista, tradicional região cafeeira do país.

Atualmente as máquinas são de aço e funcionam com motores elétricos muito mais sofisticados, mas também com diesel ou gasolina. Investimentos em tecnologia multiplicaram o portfólio de equipamentos à disposição, e mesmo depois do boom de demanda nos últimos dois anos, a empresa prevê que as vendas deverão continuar aquecidas até pelo menos 2013.

A companhia, sociedade anônima nacional fundada por descendentes de italianos, é líder no segmento no país e mantém boas participações em mercados como Índia, Colômbia, México, Quênia e Etiópia. Atua em todos os elos da cadeia produtiva, e participou da criação, há mais de 20 anos, em parceria com cafeicultores, do processo de produção de cereja descascado, meio termo entre o café natural e o lavado.

O segmento de café, no qual a demanda foi forte nos dois últimos anos, impulsionada por preços elevados, recuperação de renda e aumento dos custos com mão de obra, representa de 70% a 80% do faturamento da Pinhalense.

Após o arrefecimento observado no primeiro semestre deste ano, influenciado pela queda das cotações internacionais da commodity, já há uma retomada em curso. Segundo Reymar Coutinho de Andrade, gerente comercial da empresa, termômetro disso é o maior número de solicitações de orçamento em relação ao mesmo período do ano passado. "Vai ser um ano [2013] muito bom", diz.

Apesar de o café ser a principal engrenagem da indústria, a Pinhalense diversificou a produção e também comercializa equipamentos para segmentos como grãos, cacau e nozes. São produtos divididos em quatro linhas principais – mecanização, pós-colheita, rebenefício (reprocessamento) e torra e moagem. Só de secadores, carro-chefe da empresa, são comercializadas 1,6 mil unidades ao ano. As usinas de rebenefício devem somar 12 neste ano.

Nos dois últimos anos, o faturamento da empresa mais do que dobrou, puxado principalmente pela cafeicultura. Muitos produtores adquiriram máquinas mais modernas para substituir equipamentos antigos, mas a grande maioria deles precisava dar suporte ao aumento da produção. Com isso, a receita da Pinhalense deverá totalizar entre R$ 140 milhões e R$ 150 milhões em 2012, ante os R$ 137 milhões de 2011. Em 2009, foram pouco mais de R$ 49 milhões.

Para dar conta do "recado", a Pinhalense investiu R$ 6 milhões na construção e ampliação de sua terceira unidade fabril, que começou a funcionar há dois anos. Mesmo com a redução do ritmo de compras nos últimos meses, o patamar ainda é maior que a média de três anos atrás, de acordo com o gerente comercial.

Normalmente, entre julho e outubro o agricultor começa a cotar os preços das máquinas, mas a aquisição começa a partir de novembro e se intensifica entre fevereiro e março, quando ele espera o preço da commodity reagir para vender seu produto e investir.

Entre fevereiro e março deste ano, houve uma queda de cerca de 12% nas vendas em relação ao mesmo intervalo de 2011, mas o faturamento foi um pouco maior em consequência da antecipação de algumas compras no fim do ano passado, quando os preços do grão ainda estavam altos.

Reymar defende que o produtor que não investiu em estrutura de secagem perdeu dinheiro diante das chuvas atípicas que atingiram várias regiões produtoras em junho e julho. A procura por máquinas para recolher o café que caiu no chão é enorme, confirma.

O executivo observa também que houve um aumento na demanda por secadores menores para a agricultura familiar. "O mercado deve se estabilizar e ter um novo "boom" daqui a oito, dez anos", projeta Coutinho de Andrade.

O desenvolvimento de novas tecnologias também foi possível a partir do intercâmbio com outros países, por meio das exportações. Os embarques representam de 20% a 25% do faturamento total da empresa e vão para 86 países da América Latina, África e Ásia. De cada três máquinas para cafeicultura exportadas no mundo, uma é Pinhalense, de acordo com a P&A Marketing Internacional, que faz as vendas externas para a indústria.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De Espírito Santo do Pinhal (SP)

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