Café tem a maior alta em quase 10 anos

A seca e as altas temperaturas que atingem regiões cafeeiras de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a sustentar as cotações do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em maio dispararam e fecharam a US$ 1,3785 a libra-peso, alta de 8,37% (1.065 pontos). Foi a maior valorização desde 15 de novembro de 2004, quando um contrato de segunda posição da commodity havia subido 12,83%, e o maior patamar desde maio do ano passado, conforme o Valor Data.

Os papéis com vencimento em março subiram 8,58% (1.075 pontos) ontem, a US$ 1,3595 por libra-peso. Na sexta-feira, os contratos já haviam subido mais de 500 pontos. Na semana passada, a commodity teve alta de quase 10% em Nova York.

A alta mais forte registrada ontem foi impulsionada por um movimento técnico, afirma Rodrigo Costa, da Caturra Coffees. As especulações decorrentes dos efeitos da estiagem sobre a produção de café do maior fornecedor mundial do grão fizeram com que fundos que tinham posições vendidas (apostavam na queda das cotações) desfizessem essas posições e apostassem na alta, posição que também contou ontem com a entrada de outros fundos, conforme Costa.

As consequências da seca na produção de café ainda não foram estimadas, mas a estiagem e as altas temperaturas atrapalham o desenvolvimento dos grãos que serão colhidos a partir de maio, que ficam mais miúdos. Com isso, o rendimento deve ser afetado.

Empresas de meteorologia ainda preveem temperaturas acima da média e precipitações abaixo dos patamares normais para os próximos sete dias no cinturão de café do país, o que deverá aumentar o estresse das plantas.

Marco Antonio dos Santos, da Somar Meteorologia, disse que estão previstas chuvas para a segunda quinzena de fevereiro, o que permitirá um diagnóstico mais apurado da situação.

Fonte : Valor | Carine Ferreira | De São Paulo