Café e açúcar têm forte reação em Nova York

A forte valorização do real em relação ao dólar abriu espaço para uma expressiva recuperação dos preços do café e do açúcar em outubro na bolsa de Nova York.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega mostram que, em larga medida graças ao "desestímulo cambial" às exportações brasileiras, o café encerrou o mês passado com valorização de 16,92% em relação a setembro, ao passou que a alta do açúcar chegou a 14,48%.

Nos dois casos, entretanto, as cotações continuam em patamares considerados baixos. Apesar do salto de outubro, a cotação média do café ainda ficou 8,7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2017. No mercado de açúcar, a queda, na mesma comparação, chega a 7,16%.

Para analistas consultados pelo Valor ao longo das últimas semanas, há mais espaço para novas altas do açúcar do que do café. Isso graças à expectativa de redução da produção brasileira, por causa de problemas climáticos e pelo fato de as usinas do Centro-Sul estarem privilegiando o etanol no mix de produção.

Outras duas commodities bastante exportadas pelo Brasil e referenciadas em Nova York não tiveram a mesma "sorte" de café e açúcar e fecharam outubro com médias mensais inferiores às de setembro. O suco de laranja caiu 6,32%, ao passo que o algodão recuou 2,37%. Nesses dois mercados, as perdas foram influenciadas por perspectivas de aumento da oferta nos Estados Unidos.

O clima nos EUA também foi decisivo para as altas de soja e milho na bolsa de Chicago – o Brasil lidera as exportações globais da oleaginosa e é o segundo colocado nas exportações de milho, atrás apenas dos americanos.

Conforme o Valor Data, a cotação média dos contratos de segunda posição de entrega da oleaginosa encerrou outubro com alta de 3,14% em relação a setembro, ao passo que os ganhos do milho foram de 4,26% na comparação. Mas as perspectivas são distintas para esses grãos, inclusive levando-se em conta os mais recentes movimentos dos fundos que atuam nesses mercados. No caso do milho, por questões climáticas, existe uma expectativa de novas altas; no da soja o cenário é baixista, pela baixa demanda da China pelo grão dos EUA.

Por Fernanda Pressinott, Kauanna Navarro e Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor