Cacau do Brasil é o mais caro do mundo

Produtores brasileiros recebem preços superiores às cotações da bolsa de Nova Iorque

por Luciana Franco

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A safra brasileira de cacau foi encerrada no último mês de abril e deve somar 183 mil toneladas no período 2011/12. O volume é o segundo maior dos últimos 16 anos e só perde para a safra 2010/11 que superou as 200 mil toneladas. Do total produzido no país, 132 mil toneladas se referem à safra da Bahia, tradicional produtor. As outras 51 mil toneladas estão distribuídas entre os estados do Pará, Espírito Santo,Roraima, Amazonas e Mato Grosso, que também produzem a amêndoa. "O estado onde a produção mais cresce ultimamente é o Pará", diz Thomas Hartmann, analista do mercado de cacau.
A safra 2012/13 deve render uma produção semelhante, mas o mercado está atento ao clima, uma vez que no Sul da Bahia, onde se concentra a produção, as chuvas estão em volume inferior ao necessário para beneficiar as lavouras. "Não tivemos registro de seca, como ocorre em outras partes do estado, mas há alguma preocupação sobre os efeitos da pouca chuva sobre o desenvolvimento as plantações", diz Hartmann.
O Brasil,que já foi grande produtor de cacau – com safras em torno de 400 mil toneladas – na década de 1980 — viu sua produção despencar por conta da incidência da doença vassoura de bruxa, que dizimou as lavouras baianas. Nos últimos cinco anos, no entanto, o país voltou a aumentar a produção, justamente no momento em que o consumo – sustentado pela melhoria do poder aquisitivo da população – também cresce.
Com isso, a situação de oferta e demanda segue equilibrada no mercado interno. Ainda assim, os preços são altos. "Hoje o preço pago ao produtor brasileiro é o mais alto do mundo e supera inclusive as cotações da bolsa de Nova Iorque. A qualidade da nossa produção é excelente", diz Hartmann. No mercado interno a arroba de 15 quilos está negociada a R$ 78 reais, ou US$ 2.600,00 por tonelada.
No mercado mundial, a produção deve ser de 4 milhões de toneladas, volume próximo do consumo estimado, mas o excesso de produção da safra passada — de 350 mil toneladas – tem mantido as indústrias fora do mercado, já que se encontram com estoques altos. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial com safra anual que oscila entre 1 e 1,2 milhão de toneladas, a preocupação se refere à produtividade das lavouras, uma vez que os cuidados não foram feitos e a maior parte das plantações é antiga.

Fonte: Globo Rural

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