C.Vale reconstruirá planta incendiada até fevereiro

Fonte:  Valor | De Curitiba

A direção da C.Vale, de Palotina, oeste do Paraná, planeja começar em meados de agosto a reconstrução de sua unidade avícola que foi atingida por incêndio em maio. Na ocasião, ela perdeu 20 mil dos 45 mil metros quadrados do abatedouro. Agora, está terminando a retirada de entulhos e a conclusão da obra está prevista para fevereiro. O presidente da cooperativa, Alfredo Lang, afirma que os resultados de 2011 serão afetados, mas se diz confiante na retomada. "Foi um ano negro, mas que vai ficar só na lembrança", diz o executivo.

Lang foi acordado às 2 da madrugada do dia 13 de maio, quando o fogo já destruía a área fria da indústria, inaugurada em 2005. O segundo turno de trabalho havia sido concluído e o pessoal da higienização ia começar a limpeza. Não houve mortos ou feridos.

Bombeiros de Palotina e de municípios vizinhos lutaram contra as chamas por mais de quatro horas. A cooperativa contou ainda com a ajuda de funcionários da Sadia, que também enfrentou em 2006 incêndio em sua fábrica de Toledo, a 60 quilômetros dali.

Após investigações, a hipótese mais aceita é a de um problema elétrico. O fogo começou na área de embalagens. A C.Vale possuía seguro da Yasuda e deve receber pelo menos R$ 49 milhões para a reconstrução. "O valor pode ser maior, pois a estrutura sofreu mais danos que o imaginado inicialmente", explica o executivo. Com o fogo, foram perdidos 2,2 milhões de quilos de carne de frango.

De imediato, a C.Vale teve de enviar frangos para abate em cooperativas e empresas da vizinhança, como Copacol, Copagril, Coopavel e Globoaves. Em 15 dias, ela repassou 5 milhões de quilos de carne, até restabelecer a parte antiga de sua indústria, aberta em 1997. No fim de maio ela recuperou 93% do volume de processamento de aves que, antes do incêndio, era de 330 mil frangos por dia. Depois, retomou parte das atividades no prédio mais atingido, mas os produtos passaram a ser enviados para congelamento em São João, São José dos Pinhais e Paranaguá.

Segunda maior cooperativa do Paraná, atrás da Coamo, a C.Vale faturou R$ 2,4 bilhões em 2010. Lang não revela a estimativa de queda nas receitas, mas admite que serão menores. Ele também conta que suspendeu alguns projetos, como o da unidade de esmagamento de soja, cuja inauguração estava prevista para 2013. O executivo afirma que em setembro serão revisados investimentos, uma vez que a prioridade desde o incêndio foi evitar que produtores e empregados – cerca de 3,5 mil – fossem prejudicados.

Passado o incêndio, cooperados da C.Vale e de outras cooperativas enfrentam agora as perdas de milho safrinha por causa de geadas. Na área de atuação da cooperativa a quebra foi de cerca de 40%. Ele conta que, como há previsão de chuva, o agricultor não tem paciência e, para não perder mais, colhe o grão com umidade e congestiona a estrutura de secagem.

Em outras regiões, as perdas foram maiores. Na área da Copacol foi de 50%, mesmo nível relatado pela cooperativa Lar. "Na colheita, há outro drama", diz Lang – que, no entanto, não descarta crescer com aquisições. "Não passou nenhum cavalinho encilhado", brinca. Em meados de 2009, a C.Vale arrendou toda a estrutura da Coopermibra, de Campo Mourão. (ML)

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