Bunge estreia terminal no Pará e inicia operação pela ‘Saída Norte’

Bettina Barros/Valor / Bettina Barros/Valor
No novo caminho dos grãos, as cargas seguem por caminhão pela BR-163 e passam pela estação de transbordo de Miritituba (foto) antes de chegarem a Barcarena

Após meses de espera pela aprovação de licenças e muitas viagens-teste de barcaça pelo rio Tapajós, a Bunge realiza amanhã o primeiro embarque de soja por seu terminal portuário de Vila do Conde, no município de Barcarena, no Pará. É um marco histórico para a companhia no país: será sua estreia no escoamento de grãos originados no Centro-Oeste pela chamada "Saída Norte", a alternativa mais aguardada pelo agronegócio brasileiro aos portos congestionados do Sudeste.

O primeiro navio partirá para a Europa carregando 60 mil toneladas de soja de Mato Grosso. Na solenidade, estarão presentes o CEO global da Bunge, Soren Schroder, e o argentino Raul Padilla, que substituirá a partir de 1º de maio Pedro Parente como novo CEO da Bunge no Brasil. A presidente Dilma Roussef e o ministro dos Transportes, César Borges, também confirmaram presença.

"Esse é um empreendimento importantíssimo para o Brasil e também para nós", disse Parente em entrevista por telefone ao Valor antes de chegar ao Pará.

Com investimento próprio total de R$ 700 milhões – o maior em seis anos no portfólio de agronegócio e logística no Brasil -, a Bunge dará fôlego a um dos mais aguardados corredores intermodais do país, formado pela BR-163 e pela hidrovia Tapajós-Amazonas. O potencial anual de escoamento fluvial do corredor é de 40 milhões de toneladas de grãos até 2020, com baixa de até 34% no frete desde o Centro-Oeste.

Pela nova rota, os grãos das maiores regiões produtoras seguirão por caminhão pela BR-163, que liga Mato Grosso ao Pará, até a estação de transbordo em Miritituba, distrito do município de Itaituiba, no oeste do Pará, percorrendo uma distância de 1.100 Km. No terminal, a carga será colocada em barcaças que vão navegar o rio Tapajós e chegarão ao Terminal Fronteira Norte (Terfron), em Barcarena, num percurso de mil quilômetros. De lá, será armazenada e embarcada em navios graneleiros de grande porte, rumo ao exterior.

Nesse novo mosaico logístico, a multinacional americana também criou, em outubro passado, uma joint venture de transporte fluvial com a Amaggi – empresa da família do senador Blairo Maggi. A Navegações Unidas Tapajós (Unitapajós) será responsável pelo escoamento de grãos pela hidrovia até Vila do Conde, e construirá 90 barcaças e cinco empurradores.

A maior parte da soja e do milho embarcados em Barcarena seguirá para Ásia e Europa. Até o fim de 2015, o porto paraense será o segundo maior terminal exportador da Bunge Brasil, com capacidade de escoamento de 4 milhões de toneladas/ano, atrás do TGG (Terminal de Granéis do Guarujá), no porto de Santos (SP), que exportou cerca de 8 milhões de toneladas em 2013.

Até agora, a maior parte da soja que chegou a Barcarena foi por meio de travessias de praxe para teste realizadas a partir de Miritituba, conforme manda a Marinha antes da concessão de licenças. Segundo Parente, uma quantidade residual, não informada, subiu de caminhão pela BR-163. O problema, diz o executivo, é que a última licença para que Miritituba comece a operar ainda não saiu.

"A soja está estocada nos silos. Esperamos que em no máximo dez dias isso esteja resolvido Obviamente, é uma fonte de preocupação", diz. "Temos um Plano B que é subir [a soja] pela BR-163, mas a inteligência do processo é subir pelo rio. Um único comboio de 20 barcaças transporta 40 mil toneladas de grãos, o que equivale a mais de mil caminhões por viagem [fora da estrada]", afirma o executivo.

Além da Bunge, outras grandes empresas se posicionaram em Miritituba para fazer o escoamento dos grãos do Centro-Oeste, entre elas Cargill, Hidrovias do Brasil e Cianport. Nenhuma delas, porém, obteve a licença ambiental para iniciar as obras. A expectativa é que, nos próximos anos, o setor privado ligado ao agronegócio invista cerca de R$ 2,3 bilhões somente em instalações de terminais, comboios de barcaças e empurradores para o transporte no rio Tapajós.

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

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