Bunge compra moinho de trigo em Minas Gerais

A multinacional americana Bunge comprou o moinho de trigo Vera Cruz, localizado na cidade mineira de Santa Luzia, que faturou em 2012 R$ 44,8 milhões. O valor da aquisição não foi informado pela companhia. Mas segundo o vice-presidente de alimentos e ingredientes da Bunge Brasil, Filipe Affonso Ferreira, o moinho mineiro receberá investimentos de R$ 20 milhões em 2014 para elevar a capacidade de processamento de trigo das 150 mil toneladas anuais para 200 mil anuais.

Esse será o primeiro moinho de trigo da Bunge em Minas Gerais, segundo o executivo. Até agora, a companhia tinha apenas uma operação de mistura e empacotamento de farinha na cidade mineira de Contagem. "Minas é o segundo maior Estado consumidor de trigo do país e tem um consumidor exigente e sofisticado. Trata-de de um mercado importante para nós", afirma o executivo.

Com o Vera Cruz, a Bunge passa a ter sete moinhos no país, uma capacidade anual de processamento de trigo de 1,650 milhão de toneladas e uma participação entre 15% e 16,5% do mercado brasileiro – que é de 10 milhões a 11 milhões de toneladas anuais.

Em meados do ano passado, a Bunge havia anunciado investimentos de US$ 350 milhões a serem aplicados em cinco anos na construção de dois moinhos de trigo, um no Rio de Janeiro e dois no Nordeste. O executivo afirmou que um replanejamento feito pela companhia manteve o valor investido, no entanto, não foi ainda decidido se o recurso será destinado, de fato, à implantação dos três moinhos.

"A aquisição do Vera Cruz faz parte desse pacote de investimentos. Mas a decisão sobre os moinhos ainda não foi tomada", afirmou. Segundo ele, a necessidade de investir em aumento de capacidade no Nordeste e na região denominada pela empresa de Leste (Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) ainda existe. "Mas vamos combinar a nossa necessidade com as oportunidades que surgirem. Podemos até investir mais do que inicialmente anunciado", disse.

O reposicionamento da área de trigo da Bunge também excluiu a possibilidade de a companhia passar a atuar em outros elos da cadeia do cereal, como na produção de biscoitos e massas.

Em julho do ano passado, em entrevista ao Valor, a empresa considerava entrar nesses segmentos. À época, a companhia tinha acabado de desfazer o Consórcio Trigo Brasil, que mantinha havia oito anos com a J. Macêdo. Pelo acordo, a Bunge produzia farinha de trigo para a J. Macêdo para uso doméstico ou como ingrediente de massas, misturas e biscoitos feitos pela empresa, o que a impedia de disputar esses mercados.

Naquele momento, disse Ferreira, a empresa estava aberta a verticalizar a produção. Ao fim de 2011, chegou até a disputar a compra da Marilan, quarta maior produtora de biscoitos do país. No entanto, garantiu ele, essa possibilidade em trigo não está mais no radar. A companhia manterá seu foco na produção de farinha.

"Essas áreas demandam competências diferentes. Nós entendemos que temos conhecimento do mercado de farinha, e é nele que vamos manter nosso foco", disse. (FB)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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