Bruxelas investiga a fundo união entre Dow e DuPont

 

Victor J. Blue/Boomberg

Margrethe Vestager: compromissos assumidos até agora são insuficientes

Bruxelas iniciou uma investigação minuciosa sobre a planejada fusão de US$ 130 bilhões entre as gigantes químicas americanas Dow e DuPont e o potencial da operação limitar a concorrência por insumos cruciais aos agricultores da Europa.

A depender das conclusões da investigação, existe a possibilidade de outras megafusões que estão sendo costuradas. Esses possíveis negócios remodelariam a área de agroquímicos e sementes e colocaria o controle de quase dois terços do mercado nas mãos de apenas três companhias. As transações também poderiam piorar relações transatlânticas já tensas por causa de outras investigações em curso na União Europeia sobre negócios de empresas dos EUA.

Escrutínios nesse sentido realizadas no passado pela Comissão Europeia, incluindo as que frustraram a tentativa da GE de adquirir a Honeywell em 2001 e complicaram o "takeover" da McDonnell Douglas pela Boeing em 1997, geraram disputas entre Washington e Bruxelas.

A nova investigação conduzida por Margrethe Vestager, a dura comissária de concorrência da UE, ocorre no momento em que EUA e UE reveem o "takeover" de US$ 44 bilhões da suíça Syngenta, de agroquímicos e sementes, pela ChemChina, naquele que poderá se tornar a maior aquisição internacional já fechada por uma companhia chinesa.

A farmacêutica alemã Bayer, também forte em defensivos agrícolas, também tenta convencer a Monsanto, maior empresa de sementes do mundo, a aceitar uma oferta em dinheiro de US$ 64 bilhões, o que também atrai preocupações das autoridades regulatória.

"O sustento dos agricultores depende do acesso a sementes e defensivos a preços competitivos", disse Vestager sobre sua decisão de intensificar a investigação sobre o negócio entre Dow e DuPont. "Precisamos nos certificar de que a fusão proposta não levará a preços maiores ou menos inovação".

Nos últimos meses, as autoridades reguladoras dos EUA também se movimentaram para bloquear uma série de negócios bilionários, incluindo duas fusões na área de seguro saúde avaliadas, juntas, em US$ 85 bilhões, e o "takeover", por US$ 38 bilhões, da Baker Hughes, uma empresa de serviços em jazidas petrolíferas, pela Halliburton. Além disso,

o Departamento de Justiça dos EUA, que também está examinando o negócio Dow-DuPont.

DuPont e Dow já se acertaram em alguns pontos, como a separação da companhia resultante da fusão em três partes, em uma tentativa de afastar as preocupações das autoridades reguladoras, inclusive no Brasil e no Canadá. Mas esses "compromissos" foram classificados como "insuficientes" por Margrethe Vestager. Bruxelas também demonstrou preocupação com a possibilidade de a fusão levar à redução dos aportes em pesquisa e desenvolvimento.

Embora as duas companhias estejam baseadas nos EUA, ambas têm negócios importantes e bases de clientes na Europa, o que dá à Comissão Europeia liberdade para investigar o negócio. As autoridades reguladoras de UE e EUA provavelmente adotarão abordagens diferentes em relação ao negócio Dow-DuPont, disse David Balto, uma ex-autoridade antitruste do governo americano. As autoridades europeias geralmente têm limites de participação de mercado menores e testam propostas de soluções consultando agricultores. "A UE é um osso muito mais duro de roer", afirmou.

O tratamento da UE às companhias tem sido uma fonte de tensão entre Bruxelas e Washington nos últimos meses, com gigantes americanas como Apple e Google sendo alvo de longas investigações. No ano passado, Barack Obama realçou o protecionismo da UE, especialmente a maneira como Bruxelas tratou grupos de internet do Vale do Silício.

Dow e DuPont disseram, em um comunicado, que ambas esperavam uma "análise completa" de Bruxelas e que a investigação não atrasará a conclusão do negócio. "A Dow e a DuPont esperam encerrar a transação até o fim de 2016", disseram. A comissão tem até 20 de dezembro para tomar uma decisão final. (Tradução de Mario Zamarian)

Por Duncan Robinson e James Fontanella-Khan | Financial Times

Fonte : Valor

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