Broto Legal amplia produção e portfólio

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Lázaro Moreto, CEO da companhia: "Os brasileiros sempre comerão arroz e feijão"

A Broto Legal, uma das maiores beneficiadoras de arroz e feijão do país, vai inaugurar em setembro sua nova fábrica de arroz em Uruguaiana, a 632 quilômetros de Porto Alegre (RS). Com investimentos de R$ 40 milhões em máquinas e equipamentos, a nova unidade terá capacidade para processar até 7,2 mil toneladas do cereal por mês. Inicialmente, o volume deverá atingir de 4 mil a 5 mil toneladas, que se somarão a outras 16 mil toneladas processadas mensalmente em Porto Ferreira, interior de São Paulo. A empresa tem sede em Campinas.

A inauguração acontecerá com quatro meses de atraso em relação ao cronograma inicial, o que prejudicará o objetivo da empresa de alcançar R$ 700 milhões em faturamento em 2018 – no ano passado, foram R$ 500 milhões. Mas isso é o de menos. Como outras empresas do segmento, a Broto Legal vem acusando em seus resultados a queda nos preços do arroz e do feijão no mercado doméstico, o que também tem atrapalhado seus objetivos.

"Vamos crescer dois dígitos em ‘market share’, mas resultado financeiro é outra coisa. Depende mais da distribuição e do mercado e bem menos da indústria", diz Lázaro Moreto, CEO da companhia. Mas ele demonstra otimismo. "Os brasileiros sempre comerão arroz e feijão, mesmo que de forma diferente. Com cozimento mais rápido, em outros tipos de embalagem ou receita, continuarão a comer", acredita o executivo. Moreto se tornou CEO da Broto Legal em fevereiro, quando a companhia foi comprada pela Cinel Alimentos.

Apesar do momento adverso no mercado doméstico, Moreto afirma que a Broto Legal vai investir mais R$ 11 milhões na ampliação dos sistemas de secagem e armazenamento de arroz das lavouras de Washington Umberto Cinel, proprietário da empresa, em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Atualmente, a capacidade de armazenagem no local é de 50 mil toneladas, e a ideia é ampliá-la para 75 mil. Além dessa expansão, a companhia pretende lançar novos tipos de arroz e ampliar o cardápio de farofas.

"Tínhamos vários tipos de arroz em caixinhas a vácuo, mas a produção deles era terceirizada e queremos ter produção própria. Já plantamos as sementes e a primeira colheita das novas variedades deverá ocorrer em 2019", diz o executivo. Entre os lançamentos previstos estão os tipos de arroz arbóreo, cateto, preto e vermelho. Também está no radar a produção de um arroz semi-integral.

São novidades de pequeno volume de vendas, mas de elevado valor agregado, na linha das variedades japônico e integral, que já respondem por entre 5% e 10% do faturamento da Broto Legal na área de arroz. As vendas do cereal como um todo são responsáveis por 60% da receita da empresa. Outros, 35% vêm do feijão e o restante dos produtos da marca Báltico, entre eles azeite e atum.

A ideia de ampliar a "família" de farofas também faz parte dos planos de crescer em produtos premium. O objetivo é que a linha represente 2,5% das vendas no primeiro ano de comercialização.

Moreto destaca, ainda, que a fábrica de Uruguaiana permitirá que a Broto Legal chegue aos Estados do Sul do país, Minas Gerais e amplie a distribuição em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 2019, a intenção da empresa é usar o porto de Rio Grande como plataforma de escoamento de arroz para o Nordeste e o Norte do país.

A proximidade com o porto também aumentará a competitividade da empresa na exportação de arroz. Atualmente, a Broto Legal exporta 32 mil toneladas por ano, principalmente para o Chile, e quer expandir as vendas para o Peru e outros países das América Latina e Central.

Com esses planos, objetivo é incrementar para cerca de 10% a participação dos embarques na receita total, que ainda é pequena mesmo levando-se em consideração as exportações de feijão para Japão, Cingapura e EUA. "O dólar pode nos ajudar a vender mais, mas também precisamos conquistar novos mercados", afirma Moreto.

No mercado doméstico, a Broto Legal estima que os preços do arroz e do feijão poderão reagir em decorrência da queda dos estoques na safra 2017/18 e das perspectivas de queda na área de plantio das duas culturas neste ciclo 2018/19. Também deverão colaborar para os resultados da companhia as sinergias criadas após a aquisição pela Cinel, já que o proprietário da nova controladora tem lavouras e projetos no Paraguai, de onde a Broto Legal importa entre 20 mil e 30 mil de toneladas de arroz por ano. Em entrevista ao Valor em março, Washington Cinel afirmou que o objetivo é que o faturamento da controlada alcance cerca de R$ 2 bilhões até 2023.

Por Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte: Valor

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