BRF estuda reorganizar estrutura de gestão

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Rearranjos na gestão fazem parte da vida de empresas de controle difuso como a BRF, diz presidente José Antonio Fay, sobre indicação de Diniz para conselho

A BRF estuda uma reorganização de sua estrutura de gestão que prevê a criação de subsidiárias regionais – como a BRF Argentina, criada em 2012 – e de um "headquarter" global para a companhia. Nessa nova estrutura de organização multinacional, ideia que precisa ser aprovada pelo conselho de administração, os presidentes regionais responderiam a um presidente global.

A discussão sobre a reorganização da estrutura da BRF começou no ano passado, bem antes de a Tarpon, acionista da companhia, indicar o nome do empresário Abilio Diniz, acionista do Pão de Açúcar, para a presidência do novo conselho de administração da BRF.

Mas os dois processos acabaram se interligando. Os acionistas da BRF vão decidir o novo conselho em assembleia em abril, e o mercado especula que Abilio Diniz, se eleito, indicará nomes para a gestão da empresa. Poderia até mesmo indicar um nome para a presidência da companhia, ocupada hoje por José Antonio do Prado Fay.

Ontem, após reunião com analistas para comentar os resultados da BRF no ano passado, Fay afirmou não saber se haverá mudanças de nomes na gestão da empresa com a eleição do novo conselho. Mas informou que sua sucessão já estava sendo preparada, uma vez que, pelo estatuto da BRF, tem de se aposentar até novembro de 2014.

Sobre a indicação de Abilio Diniz para liderar o conselho de administração da BRF, Fay disse que "rearranjos fazem parte da vida de uma empresa com controle difuso como a BRF". Ele evitou comentar sobre um eventual conflito de interesses caso Diniz seja eleito para o posto, afirmando que a empresa é apenas "coadjuvante" no processo e que tal avaliação cabe aos acionistas.

Num sinal do que pode ser seu futuro se um novo nome for indicado por Diniz para a presidência da BRF, Fay admitiu a possibilidade de ser presidente global se a reorganização da gestão for levada a cabo. Isso também dependeria de decisão do conselho de administração.

Antes da entrevista, o executivo destacou aos analistas os resultados positivos da união entre Perdigão e Sadia, que originou a BRF. Segundo ele, o retorno ao acionista da BRF foi de 136% entre maio de 2009, mês da fusão, e dezembro de 2012.

No mercado, comenta-se que os resultados da BRF não estariam agradando aos acionistas, o que teria levado a Tarpon a indicar o nome de Abílio Diniz para o conselho de administração.

Fay também informou que a previsão é de um crescimento entre 10% e 12% na receita operacional líquida da BRF este ano, com a melhora no mix de preços dos produtos. Em 2012, a receita líquida da companhia aumentou 11%, para R$ 28,5 bilhões.

Já o vice-presidente de mercado interno da BRF, José Eduardo Cabral, afirmou ainda aos analistas esperar um maior equilíbrio entre oferta e demanda neste ano, um cenário diferente de 2012.

A perspectiva também é melhor para o mercado externo, segundo Antônio Augusto de Toni, vice-presidente da área na BRF. Segundo ele, os custos de produção devem cair um pouco já a partir do segundo trimestre e, com mais ênfase, no segundo semestre deste ano, devido à queda esperada nos preços internacionais dos grãos usados na ração animal. Isso deve melhorar rentabilidade da companhia no mercado externo. No ano passado, o lucro da BRF caiu 41%, para R$ 813 milhões, reflexo principalmente da alta dos grãos.

Os investimentos da BRF este ano devem ser inferiores aos de 2012, quando somaram R$ 2,48 bilhões. Para este ano, a empresa estabeleceu um teto de investimento de R$ 2 bilhões.

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

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