BRF deve concluir repasse de preços até o fim do ano

Depois de enfrentar um dos trimestres mais turbulentos de sua história recente, a BRF – Brasil Foods espera concluir até o fim do ano o reajuste de preços iniciado no terceiro trimestre para compensar a disparada dos grãos usados na ração animal.

"O repasse de 10% que anunciamos ocorrerá até o fim do ano, porque leva um tempo para que ele chegue ao consumidor", disse ontem o presidente da BRF, José Antonio do Prado Fay, em encontro com analistas na capital paulista. Entre julho e setembro, a empresa aumentou o preço médio dos produtos em 6,9%. Com isso, ainda faltam 3,1% para atingir a meta.

Na última segunda-feira, a BRF reportou um lucro líquido (atribuído aos sócios da empresa controladora) de R$ 90,8 milhões, tombo de 75% sobre o ganho de R$ 365 milhões registrado no mesmo período de 2011. O desempenho foi fortemente afetado pelo aumento dos preços dos grãos. No Brasil, o milho subiu, em média, 26,5% e o farelo de soja, 38%, de acordo com a companhia.

A sinalização de aumento dos preços foi bem recebida pelo mercado financeiro. Ontem, as ações da BRF subiram 3,57% na BMF&Bovespa, para R$ 37,70. "A empresa está bem focada em recuperar margens e reajustar preços. Nesse momento, acho que é a melhor opção do setor de alimentos", afirmou o analista da corretora SLW, Cauê Pinheiro.

A expectativa do mercado é que a empresa volte a apresentar as costumeiras margens de dois dígitos dos últimos anos. Corroída pelos grãos, a margem Ebitda da BRF no terceiro trimestre caiu para 7,9%, de 11,5% do mesmo intervalo do ano passado.

Apesar de reconhecer o desempenho "aquém do potencial", o vice-presidente de finanças e relações com investidores da BRF, Leopoldo Saboya, disse ontem que a empresa pode ter superado o "trauma" imposto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para permitir a criação da BRF, fruto da incorporação da Sadia pela Perdigão em 2009, o órgão antitruste obrigou a empresa a vender dez fábricas e oito centros de distribuição, além da suspensão das marcas Perdigão e Batavo em algumas categorias.

"Não podemos deixar de lembrar que tivemos um crescimento de receita bastante representativo, sobretudo considerando os efeitos com a venda dos ativos", disse o executivo. Quando assinou o termo com o Cade, no ano passado, a BRF informou que perderia uma receita anual de R$ 1,7 bilhão com a venda de ativos. No terceiro trimestre, mesmo sem as dez fábricas transferidas para a Marfrig entre maio e agosto, a BRF obteve um receita líquida de R$ 7,1 bilhões, crescimento de 14% sobre os R$ 6,2 bilhões do mesmo período do ano passado.

"De fato, nós estimamos que a companhia já se recuperou 100% da suspensão de marcas requerida pelo órgão antitruste em julho", afirma o analista Gabriel Lima, em relatório do Barclays. O especialista ponderou, porém, que a BRF enfrenta mais dificuldades do que o esperado para se recuperar da queda das exportações para seu maior mercado, o Japão. Em crise, o país asiático tem estoques elevados de carne de frango desde o início do ano. Com isso, o preço em dólar do quilo do frango exportado ao Japão caiu 17% no trimestre.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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