BRF defende investimentos na marca Perdigão

O presidente global da BRF, Pedro Faria, e o presidente do conselho de administração, Abilio Diniz, voltaram a defender ontem as decisões da companhia de investir com força no relançamento da marca Perdigão e de manter preços no Brasil, ressaltando que as medidas fazem parte de uma estratégia de longo prazo.

Em evento em Nova York, Faria disse que uma reintrodução agressiva da Perdigão em algumas categorias no mercado brasileiro faz sentido, num momento em que a companhia ganha dinheiro com bons resultados em suas operações internacionais. Ele também confirmou que os preços de produtos típicos de Natal, como peru, chester e pernil, não vão aumentar no fim deste ano.

Na sexta-feira, as ações da empresa caíram quase 10% na BM&FBovespa e suas ADRs recuaram 11,3% em Nova York, com os investidores decepcionados com a divulgação de alguns números do terceiro trimestre. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) recuou de R$ 410 milhões, no terceiro trimestre de 2014, para R$ 226 milhões, enquanto a margem Ebit caiu de 10,8% para 5,7%.

Como na sexta-feira em São Paulo, ontem em Nova York os executivos da BRF procuraram destacar que a retração nas margens de rentabilidade no Brasil derivou de fatores que não deverão se repetir. Os gastos com o relançamento da Perdigão em algumas categorias, das quais a companhia havia saído por definição do Cade, fizeram a margem Ebit encolher de 1,5 a 1,6 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2014, realçou Augusto Ribeiro Jr., vice-presidente de relações com investidores e de finanças da BRF.

Antes das restrições do Cade, a Perdigão chegou a ter 25% do mercado. Faria enfatizou o potencial da marca, um trunfo da BRF, ao lado da Sadia. Em julho, a companhia relançou presunto, apresuntado e linguiça calabresa com a marca Perdigão.

A forte alta do dólar também pressionou os custos, disse Faria. Isso afetou as margens, num momento em que a BRF segurou os preços. Uma provisão de R$ 185 milhões para operações na Venezuela também impactou o resultado. Ele destacou, também, que a economia brasileira está numa situação "mais dura" e que a empresa enfrenta mais competição. Como é notório, a JBS tem investido pesado na marca Seara.

Diniz disse que o objetivo da companhia é sempre ser a melhor, e que ser a maior em determinado mercado é consequência desse esforço. Ao comentar o tombo das ações na sexta-feira – ontem as ADRs subiram 0,07% -, o empresário afirmou que não está feliz com a reação dos investidores, mas destacou que o comando da empresa tem feito o que é melhor para a companhia. "Nós jogamos para o longo prazo, não para o curto prazo."

Quando voltou a afirmar que a empresa não vai aumentar os preços de produtos relacionados ao Natal, como peru, Faria não descartou reajustes em outros produto. Segundo ele, a companhia monitora a situação e vai escolher o "momento correto" para os reajustes.

Para o executivo, a situação da economia brasileira ainda deverá "piorar antes de melhorar". Faria disse, porém, que a BRF foca nos fatores que pode controlar, como produtividade e conte de custos. E mostrou otimismo ao tratar do desempenho das operações internacionais. Hoje, cerca de 55% da receita da BRF vem de fora do Brasil. Um dos principais destaques é a região compreendida por Oriente Médio e África, onde a receita operacional líquida cresceu 26,2% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2014, para R$ 1,9 bilhão. A receita líquida total da BRF no período foi de R$ 8,3 bilhões, 14,4% maior que no terceiro trimestre de 2014.

Outras informações sobre o balanço trimestral da BRF em

Por Sergio Lamucci | De Nova York

Fonte : Valor

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