Brasil vira o 2º mercado para colheitadeiras

Em 2013, pela primeira vez na história, as vendas de colheitadeiras no Brasil vão superar o número de unidades comercializadas em toda a Europa Ocidental, em um movimento que consolidará o país como o segundo maior mercado global para esses equipamentos, atrás apenas dos Estados Unidos.

De acordo com estimativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as grandes multinacionais que atuam nesse segmento no Brasil, as vendas no país deverão somar 8,5 mil unidades neste ano, ante 13,6 mil nos EUA e 7,2 mil na Europa Ocidental. Em 2012, o mercado interno americano alcançou 12.728 unidades, enquanto o europeu chegou a 7.817 e o brasileiro, a 6.278 – 17,5% mais que no ano anterior.

De janeiro a setembro de 2013, realça Milton Rego, vice-presidente da Anfavea, as vendas no Brasil já somaram 5.652 unidades, o que representou um incremento de 55,7% na comparação a igual intervalo do ano passado. Assim, afirma, a Europa Ocidental, onde o potencial de crescimento é menor, ficará mesmo para trás. Resta saber se a tendência de queda da rentabilidade dos grãos nesta safra 2013/14 se confirmará e afetará esse forte ritmo de crescimento.

Em 2005, quando o valor bruto da produção agrícola brasileira tombou em razão de uma conjunção desfavorável formada por câmbio adverso às exportações, preços baixos e estiagem na região Sul, as vendas de colheitadeiras no país atingiram 1.534 unidades, quase 73% menos que em 2004 (5.605 unidades). É clara a correlação no Brasil, portanto, entre investimentos em mecanização e renda agrícola.

Situação diferente da observada nos Estados Unidos, o grande líder global em vendas de colheitadeiras. Naquele mercado, afirma Rego, as variações de renda são menores – há subsídios e 90% da área cultivada no país é segurada, ante um percentual que varia entre 8% e 10% no Brasil – e, por isso, a substituição de uma colheitadeira por outra mais nova ou mais potente se dá mais por questões técnicas.

Assim, o impressionante crescimento das vendas de colheitadeiras e máquinas agrícolas em geral no Brasil desde 2011 está atrelado a sucessivas safras rentáveis – sobretudo de soja – e reforçou uma tendência de modernização que ganhava força desde 2000 mas que havia perdido fôlego. Entre 2006 e 2010, as vendas de colheitadeiras ficaram abaixo da taxa média de renovação, diz Rego.

Do ano passado para cá, outro grande fator de estímulo às vendas foi a redução de juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que recuaram para 2,5% no segundo semestre de 2012 e atualmente estão em 3,5%.

Para que o parque brasileiro de colheitadeiras não envelheça, calcula-se que seja necessária a substituição de 5,5 mil unidades todos os anos, de acordo com o representante da Anfavea. Conforme ele, o tempo ideal de uso de uma máquina como essa é seis anos, mas, no Brasil, a idade média chega a oito ou nove anos. E algumas já têm duas décadas de serviços prestados. Nesse caso, as perdas na colheita podem chegar a 10% da produção, ante menos de 0,5% com o uso de equipamentos modernos.

No Brasil, a substituição da frota tem privilegiado máquinas de maior porte, com o objetivo de obter produtividades maiores e aproveitar melhor as janelas de plantio. Conforme o anuário da Anfavea, o grupo CNH, com suas duas marcas (Case e New Holland), liderou as vendas de colheitadeiras no país em 2012, seguida por John Deere e AGCO.

Apesar de o mercado de tratores no Brasil ser bem mais amplo que o de colheitadeiras em número de máquinas – no segmento, as vendas somaram 55.819 unidades em 2012 -, é mais difícil comparar a comercialização no país ao desempenho de outros mercados, por conta da variedade de tipos e aplicações desses equipamentos, observa Rego.

Em mercados desenvolvidos, como os dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, há uma grande quantidade de microtratores (cerca de 40 mil por ano somente nos EUA) para uso em jardinagem. Em países asiáticos como China e Índia, por sua vez, muitos tratores ainda são usados para transporte, e não diretamente na atividade agrícola. E máquinas pequenas dominam as vendas.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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