Brasil terá colheita recorde de grãos neste ano

As políticas oficiais de apoio à comercialização da safra passada, a queda dos preços dos insumos, o aumento da área de soja, o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras e o forte crescimento da produção de milho de inverno vão garantir ao Brasil uma colheita recorde de grãos neste ano.

Considerada uma possibilidade remota no início da semeadura, em setembro de 2009, a maior safra da história do país passou a ser uma probabilidade a partir das pesquisas de campo de fevereiro. Mas a certeza só veio ontem, com a publicação dos resultados do sétimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre esta temporada 2009/10, que já está em fase adiantada de colheita.

“Teremos dificuldades para armazenar e para transportar a safra. Mas muito pior seria se não estivéssemos anunciando uma grande safra, mas, ao contrário, uma safra cheia de dificuldades”, disse Wagner Rossi, ex-presidente da Conab e novo ministro da Agricultura. “Há uma demanda constante de alimentos no mundo e, certamente, encontraremos o destino para nossos produtos”.

Os dados da Conab informam que a produção brasileira de grãos alcançará 146,312 milhões de toneladas, ou 8,3% mais do que no ciclo 2008/09 – prejudicado por uma forte estiagem na região Sul e em áreas de Mato Grosso do Sul. Com a seca, o recorde anterior de 144,14 milhões de toneladas registrado em 2007/08, foi preservado para ser batido agora. E ele virá graças à soja, carro-chefe do campo e das exportações do agronegócio brasileiro.

A produção de soja do Brasil atingirá 67,389 milhões de toneladas em 2009/10, volume 17,9% superior ao ciclo 2008/09. Será também um recorde, já que é 12,3% maior que a máxima que puxou a produção em 2007/08. Fator cialis pills for sale de preocupação para muitos especialistas, a participação da soja na produção total de grãos atingirá o pico de 46,1%, maior inclusive que os 41,6% de 2007/08.

Não é tanto quanto o peso da soja na vizinha Argentina, que deverá colher 53,5 milhões de toneladas (57,5% da safra de grãos), mas é o suficiente para acender o sinal de alerta para a qualidade dos solos e a importância da rotação de culturas para preservá-la. Apesar do incremento, a colheita brasileira ainda ficará bem abaixo do volume previsto para os EUA, de mais de 90 milhões de toneladas. Americanos, que produzem volumes muitos maiores de milho e trigo, brasileiros e argentinos também são, nesta ordem, os maiores exportadores mundiais de soja.

A influência do bom momento climático para o crescimento da produção do grão também é flagrante. Em 2008/09, com a estiagem e o menor uso de insumos, como fertilizantes e sementes, que estavam muito caros, a produtividade média das lavouras de soja do país foi de 2.629 quilos por hectare, com destaques para redução no Paraná (2.337) e em Mato Grosso do Sul (2.436).

Na nova supersafra, graças à face positiva phentermine pills without prescription das chuvas – a negativa, com ecos de tragédia, são as inundações e mortes em cidades do Centro-Sul nos últimos meses -, a produtividade média da soja no país subiu para 2.901 quilos por hectare. No Paraná, chegou a 3.100 (inferior apenas à de Rondônia), e em Mato Grosso do Sul, a 2.900 quilos.

Nessa frente, a decepção foi Mato Grosso. Apesar de colher uma safra recorde de soja, de 18,779 milhões de toneladas, a produtividade no Estado, maior produtor do grão do país, foi prejudicada pelas chuvas tardias que afetaram a qualidade de parte das plantações, tendo ficado em 3.036 quilos por hectare – ou 1,5% inferior à de 2008/09.

Foi o crescimento de 6,1% da área plantada que salvou o dia, mas a rentabilidade dos sojicultores mato-grossenses está comprometida, como cansa de realçar a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), com sede em Cuiabá.

No milho, cuja área plantada no país recuou 7,7% em 2009/10, a produtividade nacional média também aumentou por causa do clima (14,9%). E mais uma vez os destaques são Paraná e Mato Grosso do Sul, onde elas foram 36,6% e 46,4% maiores que em 2008/09, respectivamente. Somadas às produções de verão e inverno, o Paraná, maior produtor nacional de milho, deverá colher 12,294 milhões de toneladas, 10,7% mais que na temporada passada.

A safrinha, que deverá render 20,728 milhões de toneladas, cerca de 2,3 milhões de toneladas a mais que o previsto em março e 19,5% acima do ano passado, é fundamental para a recuperação da oferta de milho, cujos produtores em geral encaram estoques elevados, exportações ainda decepcionantes e preços baixos.

Sobre isso, o ministro prometeu ação: “A safra que se avizinha vai ser realmente muito grande. Haverá um empenho de mantermos a política de garantia do preço mínimo. Claro, vamos ter que discutir algumas circunstâncias dessa política, mas o governo estará ao lado do produtor”, afirmou Rossi.

O aumento da oferta de soja e milho sustenta, ao lado da cana, as projeções de aumento do valor bruto da produção (VBP) agrícola e do PIB da agropecuária brasileira em 2010. O Ministério da Agricultura está prestes a atualizar seu levantamento sobre o VBP, mas em março estimou que as 20 principais culturas do país, puxadas pela soja, gerariam R$ 160,997 bilhões no ano – 3,2% mais do que em 2009, mas ainda abaixo do recorde de R$ 163,636 bilhões de 2008.

Se acompanhar o ajuste feito pela Conab para o volume da safra, o VBP calculado pelo ministério deverá ser ajustado para algo acima de R$ 163 bilhões, já com chances concretas de bater um novo recorde.

Apesar da expectativa de crescimento das exportações em 2010, em linha com os resultados do primeiro trimestre, o aumento da oferta de grãos, aliada aos preços mais baixos de soja e milho – os valores pagos aos produtores paulistas, por exemplo, estão mais de 15% menores que em março de 2009 -, deverá ser um remédio eficaz contra surtos inflacionários dos alimentos, até agora influenciados por frutas, verduras e legumes, que tiveram a oferta reduzida pelas chuvas no primeiro trimestre.

A farta produção de milho será fundamental para isso. Principal matéria-prima do complexo carnes, sobretudo na ração de frangos e suínos, o milho terá o segundo maior estoque desde 2003/04 – os estoques iniciais também são bastante fartos. O consumo interno deve bater um recorde ao superar 46 milhões de toneladas neste ano. Assim, será possível elevar as exportações a 8,5 milhões de toneladas.

“Nossa maior preocupação será a segunda safra do milho. Temos volumes muito significativos e, a exemplo do ano passado, sabemos que teremos que entrar pesado para viabilizar esse escoamento e garantir o preço mínimo”, disse Sílvio Porto, diretor de Política Agrícola da Conab.

Mas como o “medicamento”, em contrapartida, é prejudicial aos agricultores e, portanto, às economias regionais, o governo terá de agir para que o remédio não se torne um veneno. E a estratégia para amenizar eventuais margens negativas e aumentos de endividamentos não será simples, mesmo em um ano de eleições presidenciais.

“Já estamos usando AGF, vamos usar PEP, Pepro, opções, o que for. Agora, estamos comprando, o que pra nós não é o mais adequado porque, por exemplo, no milho já estamos com estoque bastante grande na mão do governo. A ideia é usar esses instrumentos para escoar, usar mais PEP e Pepro”, afirmou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães.

Fonte: Valor Econômico

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