Brasil tem a missão de abastecer o mundo com alimentos

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SÍLVIO CRESTANI, EXPRESIDENTE E HOJE PESQUISADOR DA EMBRAPA SUDESTE, FALA, EM DOURADOS, DO PAPEL GIGANTESCO DA AGRICULTURA BRASILEIRA

Ao fazer uma projeção da agricultura pelos próximos oito anos, o ex-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sílvio Crestani afirmou que o País responderá até 2020 por cerca de 40% do abastecimento mundial de alimentos, porque tem produtores modernos, tecnologia e terras ainda disponíveis para o agronegócio, mesmo sem novos desmatamentos.

Numa entrevista ao Correio Rural na semana passada, em Dourados, ele enfatizou que até o final desta década "a agricultura vai continuar importante. O Brasil depende da agricultura, tanto para o consumo interno de alimentos, como para a produção de energia (agroenergia) e a produção de fibras. E nós temos hoje uma demanda maior ainda no mundo. O mundo precisa do Brasil para produzir alimentos. Temos que produzir comida para outros países, alimentos para exportação".

Crestani, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), e presidente da instituição de janeiro de 2005 a julho de 2009, citou que "hoje 70% dos alimentos produzidos no Brasil são consumidos internamente e cerca de 30% são exportados. Nós vamos ter que produzir mais que os 160 milhões de toneladas de GRÃOS e muito mais carnes".

Segundo ele, "é importante entender que o G 20 – o grupo dos 20 países mais ricos – entende que o crescimento da demanda internacional, principalmente da China, da Índia, da África, enfim, dos países emergentes, gera um contingente de 80 milhões novos consumidores por ano".

E dentro do quadro atual de oferta de comida, a Europa vai contribuir nos próximos anos com 5%, os Estados Unidos não chega a 20% e o Brasil com 40%. "Quase a metade, então, do contingente. Por isso, a agenda do consumo continuará passando pelo desenvolvimento agrícola", destacou o pesquisador.

ÁREA DISPONÍVEL

O Brasil pode aumentar a sua produção do agronegócio usando as terras disponíveis atualmente, melhorando sua tecnologia ou mesmo incorporando novas terras ao processo produtivo. E dentro deste contexto, Crestani mencionou que "os Estados Unidos tem uma área muito pequena para a expansão da produção agrícola".

"E mais do que isso: eles estão transformando 1/3 da sua produção de milho em etanol porque a meta é de adição de etanol a gasolina, como se faz no Brasil. A área de produção está muito limitada nos EUA. Diria que a África também tem espaço, mas não tem tecnologia, nem organização, que permita que nesta década consiga produzir os alimentos que o mundo precisa. Portanto, a equação da produção se fecha em torno do Brasil".

Pesquisa da Embrapa é fundamental

Para o seu ex-presidente "a Embrapa tem e terá papel relevante nas pesquisas, pelas dimensões do negócio agrícola, não só da produção, como da conservação ambiental. É bom lembrar que o Brasil ainda tem bolsões de miséria no campo. Hoje temos mais de 50 milhões de hectares com assentamentos da reforma agrária que ainda não estão bem equacionados, com problema sociais no campo e ainda há populações indígenas e quilombolas".

E a empresa tem ainda o desafio, hoje, da produção do milho, da soja, da cana etc. "E a toda hora tem novos desafios, porque aparece uma doença, uma praga, tem o problema climático, tem a questão tecnológica, a questão dos insumos. Nesse caso, nossa importação de fertilizantes é uma coisa muito preocupante", disse Crestani.

"Então, isso leva hoje a uma agenda de pesquisa de médio e longo prazo que exige que a Embrapa trabalhe junto com as universidades, órgãos de pesquisa e a extensão rural, se preparando para dar a resposta à produção", argumentou. "Ciência, tecnologia e inovação têm um tempo de concepção, um tempo de maturação para se pensar uma solução para o problema. Até uma cultivar chegar ao produtor são de oito a dez anos", citou o pesquisador. (CF)

Fonte: CORREIO DO ESTADO – MS

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