Brasil quer conquistar reconhecimento como área livre de febre aftosa com vacinação até 2015

Governo pretende ampliar embarques de carne bovina e para isso é preciso garantir sanidade animal

Daniela Castro | Brasília (DF)

Luís Frey

Foto: Luís Frey / Especial

Último foco de febre aftosa no Brasil ocorreu em 2006, no Paraná e em Mato Grosso do Sul

Em novembro, as vendas externas de carne bovina ultrapassaram US$ 6 bilhões. Para manter e ampliar esse comércio, que já realiza embarque para mais de 100 países, é preciso garantir a sanidade animal. Por isso, até 2015, o Brasil pretende conquistar o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa com vacinação. Depois, o objetivo é aumentar o número de Estados com status de livre da doença sem vacinação, a exemplo do que ocorre em Santa Catarina.
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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) segue firme com o propósito de conquistar o reconhecimento internacional do país como área livre de febre aftosa. Para isso, basta apenas fortalecer o sistema veterinário de três Estados da região Norte, que representam 1% do rebanho de bovinos e bubalinos do Brasil.

O último foco de febre aftosa no Brasil ocorreu em 2006, no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Atualmente, apenas Amazonas, Amapá e Roraima ainda não são reconhecidos nacionalmente como livres da doença.

Outros 14 Estados, mais o Distrito Federal, têm o status internacional de área livre com vacinação: Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Sergipe, Bahia, Tocantins, Rondônia e Acre. O mesmo status deve ser dado pela OIE, em maio do próximo ano, para Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Pará, Piauí e Rio Grande do Norte. Santa Catarina é o único reconhecido pela OIE como livre da doença sem vacinação.

Para o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, isso é  resultado de uma ação concreta do Estado.

– Temos 67 barreiras terrestres e em todas elas estamos 24 horas por dia, todos os dias do ano. Temos veterinários, agentes administrativos, seguranças para parar os veículos e fazer toda a investigação, lavar os pneus dos veículos, proteger a entrada de qualquer elemento de contaminação. Em todas as indústrias e propriedades há uma fiscalização com uma participação importante tanto da indústria, como, principalmente, do produtor – afirma.

Segundo o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Guilherme Marques, o governo federal pretende seguir o exemplo de Santa Catarina, e criou um grupo de trabalho que já estuda ampliar as áreas livres de aftosa sem vacinação no país.

– Necessariamente, a retirada da vacina implica em um fortalecimento no sistema de vigilância e da barreira primaria o que obrigará, obviamente, os Estados envolvidos a aportarem muito mais recursos, muito mais pessoal, bem como o próprio governo federal para fazer jus a esse status sanitário. Nós não vamos concluir as nossas atividades quando a gente considerar o país livre. Esse é um trabalho constante. Manter os mercados importadores sempre abertos como uma opção de oferta dos nossos produtos e venda dos nossos excedentes – salienta Marques.
Febre Aftosa
De acordo com a veterinária Adriana Moraes, a doença é provocada por um vírus extremamente resistente ao ambiente.

– Ele causa aftas na cavidade oral, nas tetas e nos cascos. Os animais têm dificuldade de caminhar, sentem muita dor e não conseguem comer, isso diminui a produção de leite e causa perda de peso.

Segundo a especialista, a taxa de replicação é muito alta.

– Em 10 horas, já está transmitindo e resiste até 15 dias no ambiente – explica.

Adriana diz que os cuidados são mesmo necessários.  Ela destaca que a febre aftosa, transmitida por vírus, e se propaga rápido.

– É possível, mas a vacina é o que nos garante, pois a principio o vírus ainda circula no Brasil. Paraguai teve surto em 2012, Venezuela em 2010, então, o vírus está nos cercando. O Brasil continua com a ampla campanha, para cada vez mais vai reduzir a circulação dentro do país. O problema de parar a vacinação é que nos teremos que intensificar nossa área de vigilância principalmente nas fronteiras – diz Adriana.

O pecuarista, Alex Coutinho, está atento ao calendário de vacinação. 

– Nós vacinamos o gado nas duas campanhas, em maio e em novembro. Em uma é obrigatório o rebanho inteiro, em outra em até 24 meses, mas como temos uma preocupação muito grande com manejo sanitário, fazemos nas duas vacinações – conta

Segundo Coutinho, são gastos aproximadamente R$ 2 por dose.

– Em um rebanho grande isso vai impactar bastante, mas quando você avalia o benefício que essa vacina traz, o custo é diluído na linha de produção – argumenta.

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CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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