Brasil nunca vendeu tanta carne de frango para a China quanto em 2019

Volume embarcado para o país asiático é o maior desde a abertura do mercado, em 2009

Edi Pereira / Divulgação ABPAPara atender demanda interna, China ampliou para 46 o número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar frangoEdi Pereira / Divulgação ABPA

Os números de 2019 confirmam que o apetite da China por carne brasileira fez toda a diferenças nas exportações do ano.O país asiático comprou, no ano passado, o maior volume de frango da história , desde que abriu suas portas ao produto do Brasil, em 2009. É o que mostram  dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgados nesta terça-feira (7). A fome chinesa foi fundamental para a alta de 2,8% na quantidade total embarcada no ano passado, que somou 4,21 milhões de toneladas. Em receita, foram
US$ 6,99 bilhões, avanço de 6,4% sobre 2018.

A China desbancou a Arábia Saudita da primeira posição no ranking dos maiores compradores de carne de frango do Brasil, fechando 2019 com 585,3 mil toneladas, volume 34% superior ao do ano anterior. Mais do que isso, os chineses fizeram de dezembro também um mês histórico: as 72,07 mil toneladas adquiridas representam alta de 94% sobre igual mês de 2018. E são quase o dobro do registrado em agosto do ano passado, quando as exportações tiveram escalada significativa. E o impacto maior da crise causada pelo surto de peste suína africana no país asiático ainda está por vir. É o que avalia Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA:

— Os efeitos severos serão sentidos mais em 2020 do que em 2019. 

É que durante 2019 os chineses ainda contavam com estoques de produto, que começaram a rarear no segundo semestre. A doença reduziu o plantel, inclusive com o abate de matrizes, e o tempo para que o rebanho seja recomposto é estimado entre três a cinco anos. Os chineses precisaram reforçar as compras de carne de outros países, inclusive de outras proteínas que não a suína.

—A crise trouxe a necessidade de substituição. Mais frigoríficos foram habilitados e houve diversificação do mix de produtos. Antes, compravam basicamente pé de frango e meio da asa. Agora estão comprando mais coxa, sobrecoxa e peito de frango — explica o diretor-executivo da ABPA.

Fonte: Zero Hora

07/01/2020 – 17h59minAtualizada em 07/01/2020 – 18h02min

Gisele Loeblein

GISELE LOEBLEIN