Brasil deverá colher mais soja, diz USDA

O clima favorável ao desenvolvimento das lavouras no Brasil levou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a revisar para cima sua expectativa para a colheita global de soja na atual temporada 2014/15. Em relatório divulgado ontem, o órgão reiterou a perspectiva de produção mundial recorde ao estimar um volume de 314,37 milhões de toneladas, à frente das 312,81 milhões previstas em dezembro. Se confirmado, o número será quase 11% superior às 283,74 milhões de toneladas de 2013/14.

O órgão espera que a safra brasileira (já em início de colheita) totalize 95,5 milhões de toneladas – no mês passado, previa 94 milhões, já significativamente acima das 86,7 milhões do ciclo anterior.

Apesar do atraso inicial do plantio em importantes regiões produtoras, caso de Mato Grosso e Paraná, em virtude do clima seco, as lavouras evoluíram sem grandes percalços e rumam para confirmar uma safra recorde no país. Ainda na América do Sul, o USDA manteve a projeção de colheita na Argentina em 55 milhões de toneladas.

Para os EUA, maior produtor global de soja e onde a colheita já foi encerrada, o USDA elevou a previsão de safra a 108 milhões de toneladas, ante as 107,7 milhões apontadas em dezembro. A previsão para os estoques americanos, foi mantida em 11,16 milhões de toneladas, enquanto para o global houve um aumento em relação a dezembro, de 89,8 milhões para 90,8 milhões de toneladas. A entidade não mexeu na projeção para a China, maior comprador global de soja, que deve importar 74 milhões de toneladas em 2014/15.

O reforço na expectativa de oferta global elevada derrubou os preços da soja na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março (que ocupam a segunda posição de entrega, normalmente as de maior liquidez) fecharam ontem em forte baixa de 3,44%, a US$ 10,16 por bushel.

As cotações do milho, por sua vez, subiram em Chicago. Os papéis para maio encerraram em alta de 0,43%, a US$ 4,10 por bushel, embalados por uma nova redução nas estimativas para a produção e o estoque global do grão em 2014/15.

O USDA previu que haverá 189,15 milhões de toneladas de milho armazenadas ao fim desta temporada, menos que as 192,20 milhões estimadas no mês passado. A baixa reflete a redução da área plantada nos EUA, combinada a um novo corte na estimativa de produtividade.

A produção americana de milho deve alcançar 361,1 milhões de toneladas, aquém das 365,9 milhões indicadas em dezembro e das 351,3 milhões de 2013/14. Ainda assim, será um novo recorde. Já a produção mundial está estimada em 988,08 milhões de toneladas, abaixo das 991,58 milhões estimadas em dezembro. Para o Brasil, o USDA manteve em 75 milhões de toneladas a expectativa de safra.

No que diz respeito ao trigo, o órgão aumentou suas projeções para a produção global e os estoques finais em 2014/15, apesar das adversidades climáticas que atingem lavouras de inverno do Hemisfério Norte, o que surpreendeu analistas e traders. Assim, os lotes do cereal com entrega em maio fecharam a US$ 5,60 o bushel em Chicago, queda de 1,37%.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano, Luiz Henrique Mendes e Camila Souza Ramos

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