Brasil deve enfrentar dificuldades para liderar exportações agrícolas até 2024

Um estudo recente, divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), mostra que o Brasil deverá assumir a liderança mundial na exportação de produtos agrícolas a partir de 2024, quando a área plantada será de 69.4 milhões de hectares – um crescimento de 20% da média obtida no biênio 2012/2014.

Mesmo que o Brasil tenha condições naturais para responder a esta demanda – considerando que seus maiores competidores tem limitações na disponibilidade de água, de solos cultiváveis, entre outros fatores –, há fortes indícios de que será preciso superar algumas dificuldades. É o que observa o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura Fernando Pimentel.

“Até 2024, o Brasil ainda pode enfrentar grandes percalços, além da questão climática, que já é evidente. Nossa agricultura, apesar da elevada competitividade, apresenta problemas crônicos, como a falta de seguro rural, a permanência de um modelo de financiamento matricial quase caótico, além de um ambiente de insegurança jurídica em várias frentes, o que pode afastar os patrocinadores do crescimento”, analisa Pimentel durante entrevista concedida à Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Pimentel assinala também que “o estado brasileiro, enquanto gestor de políticas e principal financiador, está perdendo o controle da situação”, e cita o recente caso envolvendo Tocantins, Goiás e Mato Grosso, que propuseram a cobrança de ICMS para exportações de milho e soja, em confronto com a Lei Kandir.

De acordo com o diretor da SNA, em curto prazo, caso os estoques mundiais sigam elevados em 2016, “nossa agricultura deverá ser reduzida ao invés de crescer, numa direção contrária ao que aponta o estudo da FAO”. Pimentel afirma ainda que, “dentro de um contexto de demanda crescente, a soja como fonte de proteína deve seguir como carro-chefe, seguida pelo milho e arroz, que são fontes energéticas”.

Mesmo que a boa disponibilidade de crédito e os bons preços em dólar (até o ano passado) tenham favorecido o crescimento da área plantada, Pimentel admite que o cenário agrícola está mudando.

“As mudanças foram atenuadas pela desvalorização do real, mas a inadimplência também já cresceu no campo em 2015, pois muitos não conseguiram renovar as linhas de custeio do ano passado, e 2016 deve ser um ano de ajustes. É possível que os preços de terra se estabilizem ou até retraiam um pouco, além do custo de arrendamento que já está caindo no cerrado. Também haverá impacto no nível de tecnologia, o que já está sendo sentido nessa safra de verão 2015/2016”.

Universo Agro

Fonte: Famasul

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