Brasil caminha para se tornar um dos maiores geradores eólicos

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Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE: "O potencial eólico brasileiro supera 143 GW, dez vezes mais que Itaipu"

A evolução da energia eólica na matriz elétrica nacional tem sido exponencial. Estima-se que o segmento já represente 0,9% da geração de energia, percentual que deverá crescer ainda mais nos próximos anos diante da perspectiva de contratação de dois mil megawatts (MW) anuais, o que também deverá consolidar o mercado brasileiro, hoje o décimo-primeiro do mundo, como um dos dez maiores do planeta.

Entre 2005 e 2011, dos 64 mil MW contratados nos leilões de energia, 10% desse total, ou 6750 MW, se referem a projetos eólicos. "A produção do Brasil equivale a 9% da demanda mundial de aerogeradores. Há três anos tínhamos dois fabricantes no Brasil, hoje, temos oito e devemos ter mais um em 2013. O Brasil deverá passar da décima-primeira posição para quarta ou quinta de aumento de capacidade anual do segmento", afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Outros fabricantes, inclusive empresas chinesas, analisam construir uma fábrica no Brasil nos próximos anos, segundo ele. A capacidade produtiva da indústria instalada no Brasil deverá ser superior à demanda do País, permitindo que parte da produção seja destinada à exportação. O potencial ainda é muito grande. No início da década foi feito um estudo que apontou que o Brasil poderia chegar a uma potência estalada de 143 GW no segmento, dez vezes mais do que a capacidade da usina de Itaipu, uma das maiores do mundo. Mas a medição tinha sido feita com aerogeradores com altura inferior a 50 metros. Hoje usam-se equipamentos com altura superior a 100 metros. Quanto maior altura, maior a velocidade dos ventos. "O potencial deve ser maior que os 143 GW, mas não sei quantas vezes. Algo que era sustentado apenas por subsídio se tornou bastante competitivo."

Em 2005 o Brasil detinha dez usinas eólicas de 28 MW. Nesse ano estão em operação cerca de 1500 MW, sendo que 1200 MW estão em construção e outros 6000 MW em contratos, devendo entrar em operação até 2016. "Esse número deve aumentar ainda mais, porque temos mais um leilão no fim do ano", ressalta Tolmasquim. O Brasil precisa acrescentar 6.000 MW de potência por ano para assegurar o crescimento da demanda. Nessa década o planejamento do governo prioriza fontes renováveis que devem crescer 12% ao ano até 2020. "A energia eólica é uma fonte limpa, o que chama a atenção de muitas empresas. Temos ainda muito o que expandir, nosso desafio é manter a contratação anual de 2000 MW", diz Elbia Mello, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Em 2005, o MWh eólico custou R$ 306, em 2011 o MWh chegou a R$ 102, quase o mesmo preço da fonte hídrica. Hoje muitas empresas estão investindo no Brasil e nacionalizando peças e equipamentos, o que contribui para a redução de custos. Há um outro motivo: países da Europa têm freado o ritmo de expansão e cortado subsídios. Resultado: há ociosidade no parque mundial de fabricantes, o que contribui também para redução de preços. "O Brasil ganha espaço enquanto na Europa perde dinamismo", afirma Collin Johnson, chefe da área de energia Grant Thornton International.

Fonte: Valor | Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo

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