Brado inicia transporte por contêiner no País

Estratégia pode ser de 10% a 15% mais competitiva para os clientes em relação ao modal rodoviário; transportes saem com produtos agropecuários e voltam com bens de consumo

O sistema poderá representar uma redução de até 15% nos custos O sistema poderá representar uma redução de até 15% nos custos
Foto: Divulgação

São Paulo – A Brado Logística abre espaço para uma estratégia nova no mercado nacional que substitui o transporte de produtos agropecuários entre Mato Grosso e São Paulo de caminhões por trens, utilizando contêineres.

O agronegócio de Mato Grosso vinha utilizando o sistema logístico que envolve rodovias, ferrovias e terminais multimodais somente para escoar cargas destinadas à exportação.

Processados de origem vegetal, frigorificados e grãos agora saem do município de Rondonópolis (MT) e seguem em contêineres até o terminal de Sumaré (SP), há 30 quilômetros de Campinas (SP) e há 120 quilômetros da capital paulista, o que favorece a distribuição.

Em contrapartida, produtos de higiene e bens de consumo fazem o caminho de volta para abastecer a demanda regional. De acordo com o diretor de operações e comercial da companhia, Marcelo Saraiva, a estratégia pode ser de 10% a 15% mais competitiva para os clientes em relação ao transporte rodoviário.

"A margem que a gente atua no mercado interno é uma margem mais apertada do que a exportação, mas entendemos que o mercado necessita dessa logística e estamos entrando nesse fluxo para criar uma nova rota de mercado ferroviário", disse o executivo ao DCI.

De fato, o presidente da Câmara Setorial de Logística do Ministério da Agricultura e diretor executivo do Movimento Pró Logística, Edeon Ferreira, concorda que se trata de uma nova modalidade no Brasil.

"Essa iniciativa pode fomentar novas entradas nesse tipo de logística, já que representa uma redução de custos comparado ao envio por caminhão", afirma o especialista. Para ele, os fornecedores – tradings – são os mais beneficiados na operação. "Não acredito que estejam repassando esse ganho ao consumidor, na ponta. Pode ser uma forma de se tornar mais agressivo", diz.

Sem revelar quem são os parceiros na operação, o diretor da Brado diz que há cinco empresas entre os setores de alimentos e bens de consumo. No entanto, sabe-se que na região mato-grossense de fornecimento estão localizadas unidades da Bunge e ADM produzindo óleos vegetais. O fluxo de descida de 1,2 mil quilômetros carrega de 300 a 350 contêineres por mês, sendo 26 toneladas por contêiner.

O tempo de transporte por caminhão seria de, em média, dois dias para uma rota. Por ferrovia, são em torno de dois dias e meio e também há fatores ambientais como a redução da emissão de CO² (pela redução no modal rodoviário).

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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