Bonasa, do DF, alcança R$ 1 bi em vendas e passa a exportar

Aroldo Amorim Filho: além das incertezas sobre o consumo no país, alta do milho tem prejudicado as margens no setor
Com atuação na avicultura brasiliense desde 1964, a família Amorim já fez de tudo um pouco do setor, da genética à industrialização de carnes. À frente da Bonasa Alimentos, frigorífico de carne de frango criado na década de 1990, os Amorim alcançaram ano passado o primeiro bilhão em faturamento, e agora apostam no mercado externo para manter o crescimento e também amenizar a situação adversa no mercado brasileiro.

"Estamos vivendo a tempestade perfeita. Tem pressão do custo do grão e, por outro lado, você não consegue repassar esse custo", afirmou ao Valor Aroldo Amorim Filho, diretor-presidente da companhia. Neste ano, o milho é o principal fator de pressão sobre as margens da indústria de carne de frango – o cereal subiu quase 50% em Rio Verde (GO), conforme levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo Amorim, a escassez de milho no Tocantins, onde a Bonasa tem dois frigorífico, obrigou a empresa a alterar a estratégia de suprimento de milho, principal matéria-prima da ração. "Estamos trazendo milho de Goiás e de Mato Grosso porque quase toda a produção de Tocantins foi exportada pelo porto de Itaqui (MA)", disse. Foi a primeira vez que a Bonasa precisou comprar milho em outros Estados.

Em meio à dificuldade de repassar a alta dos preços do milho para os produtos finais por conta da crise econômica brasileira, o projeto de exportação ganha importância tanto para a Bonasa escoar parte de sua produção como para acessar linhas de crédito mais baratas. Também há vantagens tributárias, como a possibilidade de comprar insumos com crédito de impostos, disse Amorim.

Até 2014, a Bonasa não exportava. Foi só no ano passado, com a habilitação do frigorífico de Aguiarnópolis (TO) para exportação, que a empresa iniciou as vendas de carne de frango ao exterior. A companhia exportou quase mil toneladas em 2015 a partir do porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA). A ideia é exportar pelo porto de Itaqui (MA), mais próximo da unidade da empresa no Tocantins. Para isso, o fluxo de exportações tem que crescer.

Gradualmente, as exportações de carne de frango da empresa estão crescendo. "Só em janeiro, exportamos 660 toneladas", frisou o empresário. A Bonasa projeta exportar 7,6 mil toneladas de carne de frango em 2016, obtendo uma receita de cerca de R$ 50 milhões. No próximo ano, a companhia vislumbra exportar 30% da produção da planta de Aguiarnópolis – neste ano, serão 15% -, dobrando a receita com as exportações para R$ 100 milhões, disse Amorim.

Mas os planos da Bonasa para as exportações não param em Aguiarnópolis. Segundo ele, o projeto inclui habilitar para a exportação os outras três unidades de frango, a começar pela planta de Nova Veneza (GO). "Pensamos em ter as quatro plantas habilitadas", disse. O único frigorífico de suínos da Bonasa, localizado na cidade-satélite de Brazlândia (DF), também poderá ser habilitado no futuro, acrescentou.

Puxada pelas exportações, a Bonasa projeta encerrar 2016 com um faturamento líquido de R$ 1,150 bilhão, avanço de 13,5% na comparação com o total de R$ 1,013 bilhão reportado no ano passado. A expectativa de Amorim para 2016 considera a melhora da rentabilidade no segundo semestre, com a queda dos preços do milho. "A gente está vivendo um ponto fora da curva. Com a entrada da safrinha, voltamos para o azul no segundo semestre", previu.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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