Bolsa pode dar início a um mini ‘déjà vu’

Fonte Valor: Daniele Camba

Em 2008, com a crise financeira que começou no setor imobiliário americano e assolou o mundo, o Índice Bovespa caiu 41,22%. Já no ano seguinte, quando todos esperavam mais um período de vacas bem magras, o poder de recuperação do mercado foi surpreendente e o Ibovespa fechou dezembro com uma valorização de nada menos que 82,66%. Há quem acredite que a bolsa esteja prestes a dar início a um mini ‘déjà vu’.

Mini porque seria uma reversão no segundo semestre da tendência de queda das ações que se viu nos primeiros quase seis meses do ano. Mesmo ainda faltando junho para fechar o semestre, o Ibovespa já acumula no ano uma queda de 8,54%

Há quem acredite numa repetição do biênio 2008/2009

Se realmente houver uma repetição do biênio 2008/2009, é bom o investidor estar de olhos e ouvidos atentos para não perder o começo desse movimento e acabar se dando conta apenas no fim da festa, quando as ações já tiverem recuperado boa parte de seus preços.

A Fidúcia Asset Management está entre os que esperam uma recuperação da Bovespa na segunda metade do ano. Num relatório divulgado aos clientes, a gestora de recursos lista alguns fatores macro e microeconômicos tanto locais quanto internacionais que corroboram esse pensamento.

Internamente, as medidas macroprudenciais devem começar a fazer efeito sobre a inflação e os índices de preços devem vir próximos de zero no próximo mês. No cenário corporativo, as ofertas de ações devem continuar competindo com o mercado secundário. No entanto, como a bolsa já perdeu cerca de R$ 193 bilhões de valor de mercado entre abril e maio, os investidores devem voltar a se interessar pelos papéis.

Já no front externo, ainda segundo a Fidúcia, as medidas para conter a inflação na China, assim como no Brasil, vão começar a fazer efeito e a desaceleração da economia chinesa será branda. Com relação aos EUA, já é possível perceber que a recuperação econômica continua, apesar do fim do pacote do governo de US$ 600 bilhões de recompra de títulos que tanto trouxe temor ao mercado.

"Se a percepção melhorar um pouco, como estamos estimando, então lembraremos de 2011 (1º semestre X 2º semestre) como um mini ‘déjà vu’ de 2008/2009. Melhor olhar para o que ninguém quer ou mal quer ouvir falar", diz a Fidúcia em seu relatório.

Ontem, o Ibovespa fechou em leve alta de 0,08%, aos 63.388 pontos.

Daniele Camba é repórter de Investimentos