Boletim CNA avalia comportamento da inflação, exportações e cenário internacional

Brasília (13/09/2020) – O boletim semanal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem como um dos destaques do período de 8 a 11 de setembro o comportamento da inflação de agosto, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na avaliação da CNA, a alta dos preços dos alimentos é justificada pelo forte aumento no consumo das famílias, desvalorização da taxa de câmbio, elevação dos preços dos insumos agropecuários e sazonalidade da produção. No entanto, a entidade reforça que o produtor rural não é o responsável pela alta dos alimentos.

As exportações de carne bovina em volume tiveram alta de 12,7% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2019. Já os embarques de frutas voltaram a crescer em agosto e no acumulado de oito meses em 2020 totalizaram 478 mil toneladas, com destaque para as frutas cítricas (limões, limas e laranjas) e manga.

No cenário internacional, as importações chinesas de trigo tiveram alta de 96,7% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2019. As aquisições de milho pelo país asiático subiram 17,6% no mesmo período, enquanto as importações de arroz caíram 2,2% nos primeiros seis meses do ano.

A União Europeia anunciou a isenção temporária da tarifária de importação para milho, sorgo e centeio. Já a Arábia Saudita vai passar a exigir a certificação Halal de remessas de produtos cárneos para aquele país por entidades reconhecidas pela Saudi Food and Drug Authority (SFDA).

Inflação

Esta semana foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, pelo IBGE. O IPCA foi de 0,24%, demonstrando desaceleração dos preços ao consumidor frente à alta de 0,36% observada em julho. Os preços dos alimentos no domicílio subiram 1,15% em agosto, elevando a média geral da inflação de alimentos e bebidas, que foi de 0,78%. Essa alta é justificada por fatores como a retomada do consumo das famílias, desvalorização da taxa de câmbio em 2020 (-31%), elevação dos preços dos insumos agropecuários e dos custos de produção e aumento dos preços das commodities agrícolas mundialmente perante a pandemia (índice de preços da FAO). Clique aqui para saber mais.

Conforme destacado pela CNA em diversos canais de comunicação, o produtor rural não é o responsável pela alta dos preços dos alimentos, assunto que foi destaque na mídia esta semana. Para entender mais sobre esse assunto, acesse aqui.

Hortaliças e frutas

As exportações de frutas cresceram novamente em agosto, recuperando o déficit de 5% registrado no primeiro semestre de 2020. Nos primeiros oito meses do ano, o país exportou 478 mil toneladas, superando o mesmo período de 2019. As frutas cítricas (limões, limas e laranjas) e a manga foram os destaques do período.

Com a ampliação da oferta de alho nacional no mercado interno em agosto, a importação de alho foi 31% inferior a julho. No entanto, as 16 mil toneladas representam um aumento de 42% em relação ao mesmo mês de 2019. O setor acredita que o aumento esteja relacionado ao maior consumo no lar, ao auxílio emergencial e, principalmente, aos preços competitivos na China, principal fornecedor do produto.

O mesmo comportamento não foi verificado na cebola. Com estoques altos e maior produção nacional em agosto, o volume importado foi 82% inferior comparado a julho de 2020 e 90% inferior a agosto de 2019.

No mercado interno, a atenção ainda é voltada para a flexibilização do comércio e reabertura de escolas, com expectativa de crescimento da demanda por produtos como banana, maçã e alface.

Com oferta restrita em agosto, alguns produtos como mamão, limão e tomate apresentaram recuperação dos preços e tiveram redução no volume comercializado nas principais centrais de abastecimento.

Quanto à comercialização no varejo, mesmo com a flexibilização, a Feira Segura do Sistema CNA tem sido uma ótima opção em algumas regiões do país. No último sábado ocorreu a primeira Feira Segura de Camamu (BA), que contou com mais de 50 feirantes. O evento também se repetiu em Três Lagoas (MS).

Sucroenergético

A moagem de cana atingiu 415,09 milhões de toneladas na safra 2020/2021, um aumento de 3,83% ao comparar com o período do ciclo 2019/2020.

Em relação à produção de açúcar, de abril até 1º de setembro, o país já totaliza 25,89 milhões de toneladas, um crescimento de 43,76% em relação à safra passada.

Mesmo em meio ao dólar forte e a grandes posições compradas nas últimas semanas, o açúcar tem sustentado alta no mercado internacional na maioria dos vencimentos futuros. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq continua sustentando elevações e preços acima de R$ 85,78/saca de 50 kg.

No mercado internacional, o Egito estendeu a proibição às importações de açúcar bruto e refinado por três meses, na terça-feira (8). A extensão visa reduzir o impacto das flutuações de preços globais sobre a indústria de açúcar nacional e reduzir estoques acumulados.

Já no mercado de etanol, o volume produzido no acumulado da safra 2020/2021, até o final de agosto, totalizou 18,97 bilhões de litros, 7,10% inferior ao assinalado no mesmo período da safra 2019/2020. Já as vendas pelas unidades produtoras do Centro-Sul somam 11,74 bilhões de litros, com retração de 17,85% na comparação com mesmo período de 2019, justificada pelas restrições causada pela pandemia de Covid-19.

Nesta semana, o etanol foi negociado a R$1.858,00/m³, com desvalorização de 1,22% em relação à semana anterior. O comportamento segue a redução dos demais combustíveis em consequência da política de preços da Petrobrás, que reduziu os preços do diesel e da gasolina em 5% nas suas refinarias na quarta-feira (9). A redução já se soma às da semana anterior, que foram de 6% e 3% para o diesel e para a gasolina, respectivamente.

Grãos

A Conab divulgou seu boletim de acompanhamento da safra brasileira de grãos para o mês de setembro e apontou que a produção total de milho nesta safra 2019/2020 será recorde no Brasil, com 102,5 milhões de toneladas, no somatório das três safras, um acréscimo de 2,5% em relação ao ano anterior e 400 mil toneladas acima da última estimativa de agosto.

Segundo boletim da Conab, com a colheita da soja finalizada, o Brasil é o maior produtor mundial, com uma produção recorde estimada em 124,8 milhões de toneladas, ganho de 4,3% em relação à safra 2018/2019.

No que se refere às exportações, nos primeiros 4 dias úteis do mês de setembro, o Brasil exportou 1,89 milhão de toneladas de milho não moído, crescendo 15% em relação ao que foi registrado na última semana do mês de agosto de 2020.

Quanto aos preços, apesar de leves retrações, o final da semana sustenta preços ainda altos no mercado físico brasileiro de milho. O indicador Cepea/Esalq sustenta cotações acima de R$58/saca de 60 kg.

Quanto à soja, os preços nos portos variam entre R$ 136,00 e R$ 138,00 por saca, enquanto no interior variam entre R$ 141,00 e R$ 142,00, principalmente nas indústrias do Sul do país, mas com poucos negócios sendo registrados neste momento e estabilidade no cenário nacional.

Café

A atenção da cafeicultura nacional está voltada para o acentuado déficit hídrico em Minas Gerais e São Paulo. Em função das chuvas de pequeno volume hídrico, provocadas pela frente fria que atingiu a região Sudeste no final de agosto, muitas lavouras de arábica iniciaram a floração neste último fim de semana. O déficit hídrico tem colocado em risco o pegamento das floradas e até mesmo a sanidade das plantas.

Pesquisadores da Fundação Procafé avaliam que a próxima safra, que é de ciclo baixo, já se inicia com o potencial de produção comprometido. Sem a previsão de chuvas para o Sul de Minas e Alta Mogiana Paulista antes do dia 25 de setembro, os preços já sinalizam movimentações de alta em decorrência das especulações sobre o clima que podem reduzir a próxima safra.

Na bolsa de Nova York, o Contrato C com vencimento em dezembro/2020 chegou a operar acima dos 131 cents/lbp. No mercado físico, foram verificados recuos em relação à semana anterior. No entanto, o indicador Cepea/Esalq para o arábica tem sustentado cotações acima de R$585,00 e o conilon se aproximao dos R$400,00/saca.

Aves e suínos

O preço do frango vivo no interior de São Paulo apresentou novo ajuste essa semana, cotado a R$4,10/kg. Esse valor corresponde a uma alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, não é suficiente para cobrir o custo do produtor, uma vez que os principais insumos da cadeia, milho e farelo de soja, estão 60% e 65% maiores que no mesmo período do ano passado.

No setor de ovos, a oferta acima da demanda fez os compradores pressionarem os preços a serem pagos ao produtor. Com isso, o mercado esta semana ficou estável, com a caixa de 12 dúzias a R$ 76,00.

Na suinocultura, o aquecimento da economia no início do mês devido ao recebimento dos salários, somado a menor oferta de animais prontos para abate, fez com que as bolsas estaduais fechassem em alta em Santa Catarina (2,6%), Paraná (7,3%) e Rio Grande do Sul (3,6%).

Em relação à sanidade, um caso de peste suína africana em um javali no leste da Alemanha, maior produtor europeu da proteína, poderá causar alterações no mercado internacional, a exemplo da Coreia do Sul, que já fechou o mercado para o produto alemão. Para o Brasil, isso pode causar aumento das exportações brasileiras de carne suína que, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 98,5 mil toneladas exportadas em agosto, sendo 50,7 mil toneladas somente para a China. Com este número, os embarques do setor superam em 89,2% o volume registrado no mesmo mês de 2019, com 52 mil toneladas.

Lácteos

Após várias semanas de alta, os preços dos derivados lácteos registraram queda na semana, indicando um equilíbrio entre oferta e demanda. O preço do leite UHT teve redução de 2,23% em relação à semana anterior, vendido a R$ 3,57/l. Já a muçarela teve leve redução de 0,13%, comercializada a R$ 29,61/kg.

A captação de leite está um pouco mais baixa do que o mesmo período do ano passado, mas já começa a apresentar reação. Além disso, as importações de leite em pó tiveram um aumento de 163% em agosto frente a julho, contribuindo para a elevação da oferta no mercado interno.

Boi gordo

O mercado continua firme para a carne bovina. A falta de animais prontos para abate, mesmo em período de safra de confinamento, continua contribuindo para a elevação dos preços. Apesar da média do indicador Cepea em 10 de setembro ter atingido R$247,50/@, já são ventilados negócios a R$250/@, com escala de 3 a 10 dias, indicando dificuldade na construção da escala de abate futura.

O contrato futuro de outubro na B3 voltou a subir, já que a redução no final da semana passada foi um momento de realização de lucros de investidores. O mercado tem buscado superar R$244,10/@. Os fundamentos no mercado físico sustentam a hipótese de valorização desses contratos, haja vista a dificuldade de compras e queda no abate, elevação nas exportações e retorno gradual do consumo no mercado interno.

Dados do IBGE confirmam que, no 2º trimestre de 2020, o abate total foi 8% inferior ao abate do 2º trimestre de 2019. E no consolidado do 1º semestre, o abate foi 8,1% inferior ao mesmo período do ano passado, confirmando a reduzida oferta de animais. Enquanto isso, a exportação vem se confirmando como o canal de escoamento da produção, acumulando 12,7% de alta entre janeiro e agosto de 2020 frente ao acumulado no mesmo período de 2019. Esse é o maior volume já exportado pelo Brasil no período dos primeiros 8 meses e a maior participação histórica da exportação sobre o abate total, representando 33,6% do volume abatido.

Cenário internacional

União Europeia

– A UE anunciou a isenção temporária da tarifa de importação pra milho, sorgo e centeio. A tarifa foi fixada em zero para estes produtos, levando em consideração o aumento no preço do milho nos EUA (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE);

– No dia 10 de setembro, a Comissão Europeia realizou o primeiro Diálogo Digital de Alto Nível com a China, em preparação para a videoconferência entre os líderes europeus e chineses, que acontecerá em 14 de setembro. O encontro online cobriu questões importantes, como definição de padrões de tecnologia da informação, inteligência artificial, segurança de produtos vendidos online, tributação digital, pesquisa e inovação. O diálogo serviu para identificar as prioridades na transformação digital das economias da UE e China. A Comissão apresentou a sua estratégia digital e sublinhou as suas prioridades para promover a reciprocidade, a concorrência leal e os diretos fundamentais para a população (European Comission, 10 de setembro de 2020).

Estados Unidos

– O secretário de Agricultura dos EUA anunciou que o Departamento de Agricultura (USDA) fornecerá aproximadamente US$ 530 milhões para apoiar a indústria de frutos do mar e pescadores impactados por tarifas retaliatórias de governos estrangeiros (USDA, 9 de setembro de 2020);

– Para promover o trabalho do Departamento de Agricultura na Agenda de Inovação Agrícola (AIA), o USDA anunciou que está buscando contribuições dos setores público e privado sobre tecnologias e práticas mais inovadoras que podem ser prontamente implantadas na agricultura dos EUA. O objetivo é alcançar sua meta de aumentar a produção agrícola em 40% para atender as necessidades da população global em 2050, e, ao mesmo tempo, reduzir a pegada ambiental da agricultura do país pela metade (USDA, 10 de setembro de 2020).

Taiwan

– As autoridades de Taiwan anunciaram que, a partir de 1º de janeiro de 2021, permitirão a importação de quantidades maiores de carnes suínas e bovinas produzidas pelos EUA. O país asiático decidiu flexibilizar a restrição à importação de carnes suína e bovina que contenham traços de ractopamina. A proibição das importações destes produtos originários dos EUA já perdura há mais de duas décadas (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE).

China

– A China notificou ao Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial de Comércio (SPS/OMS) proposta de 589 novos limites máximos de resíduos (LMR) referentes a 67 tipos de pesticidas aplicáveis a alimentos hortícolas, incluindo melões, limões, gergelim e sorgo (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE);

– No primeiro semestre de 2020, as importações chinesas de grãos apresentaram alta de 96,7% no caso do trigo e de 17,6% no do milho, em comparação com o mesmo período de 2019. Entre as culturas consideradas essenciais para a estratégia de segurança alimentar da China, apenas as importações de arroz apresentaram contração de 2,2% nos primeiros seis meses do ano. O relatório do mês de agosto do USDA aponta crescimento significativo das exportações norte-americanas de milho para a China a partir de julho. Até 20 de agosto, o acumulado das exportações da safra 2019/2020 destinadas ao mercado chinês foi de 1,771 milhão de toneladas, um aumento de 778% com relação ao mesmo período em 2019. A China mantém sua política de busca de autossuficiência na produção de milho, trigo e arroz, mas tem sofrido déficit na oferta doméstica de milho, ocasionado pelo contínuo crescimento da demanda interna (cerca de 270 milhões de toneladas) em contraposição à estabilidade da produção nacional (260 milhões). Segundo o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), o déficit na oferta doméstica para o período 2019/2020 é estimado em 12 milhões de toneladas, metade do qual deverá ser coberto por milho importado. (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE);

– O mercado chinês de trigo é abastecido majoritariamente pela produção doméstica. O trigo também é utilizado como substituto do milho na produção de ração e o aumento da procura pelo produto desestabilizou o mercado interno. A alta nas importações verificada no primeiro semestre de 2020 pode ser explicada, em parte, pela tentativa do governo de controlar a inflação nos preços do produto. Com relação ao arroz, a leve contração nas importações chinesas no primeiro semestre é considerada por analistas um reflexo da ampla oferta doméstica e da restrição às exportações impostas no início do ano por importantes fornecedores mundiais, como o Vietnã, em razão da pandemia de Covid-19 (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE);

– Com relação aos demais cereais, o crescimento das importações de sorgo é o que mais chama a atenção. O sorgo importado pela China é comprado quase que exclusivamente dos EUA. Afetadas por tarifas extras aplicadas durante a disputa comercial, as importações do produto passaram de 5 milhões de toneladas em 2017 para 832 mil toneladas em 2019. A retomada das exportações estadunidenses no primeiro semestre de 2020 resultou em um aumento de 15,48% nas importações chinesas em comparação com o mesmo período de 2019 (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE).

Equador

– A crise provocada pela Covid-19 obrigou o governo equatoriano a adotar medidas rígidas de quarentena com vistas ao controle do contágio. A adoção de medidas semelhantes pela maior parte dos países, entre eles, EUA e países europeus, principais mercados das flores equatorianas, resultou no cancelamento de 80% das importações do produto equatoriano. O presidente da Expoflores, Alejandro Martínez, manifestou que a situação do setor é crítica e a pior já enfrentada pela floricultura equatoriana. Segundo o presidente, entre março e junho de 2020, as perdas do setor atingiram US$ 130 milhões, tendo sido dispensados 10 mil empregados diretos e 6 mil indiretos (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE).

Arábia Saudita

– O diretor do Centro Halal da Saudi Food and Drug Authority (SFDA) mencionou que o Centro passaria a exigir que todas as remessas de produtos cárneos com destino à Arábia Saudita sejam acompanhadas de certificado Halal emitido por entidade reconhecida pela SFDA. A nova medida seria válida a partir de 1º de novembro de 2020 para países que já tenham entidades certificadoras reconhecidas pelo Centro Halal e a partir de primeiro de março de 2021 para países que ainda não tenham entidades reconhecidas. A Embaixada do Brasil em Riade não identificou até o momento o recebimento de comunicação oficial do governo saudita que mencione a obrigatoriedade de cadastro de entidades certificadoras ao Centro Halal da SFDA (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE).

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Fonte : CNA

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