BofA revisa para cima perspectiva para Marfrig

Pressionada pelos investidores para reduzir seu endividamento, a Marfrig recebeu um voto de confiança do Bank of America (BofA). Em relatório divulgado ontem, o banco revisou sua perspectiva para as ações empresa de "abaixo da média" para "neutra". O BofA, no entanto, elencou condicionantes para a melhora do desempenho do frigorífico, entre as quais uma captação de R$ 2 bilhões, que poderia ser feita por meio da capitalização da Seara Foods – divisão de aves, suínos e processados da companhia – ou da venda de ativos, como a operação de bovinos.

Em relatório assinado pelos analistas Fernando Ferreira e Isabella Simonato, o BofA revisou o preço-alvo das ações da Marfrig de R$ 11,50 para R$ 13. Os papéis da companhia fecharam o pregão de ontem na BMF&Bovespa cotados a R$ 11,65, queda de 1,27%. A melhora da classificação e a consequente recuperação do preço das ações, argumenta o banco, só se consolidará caso a reestruturação da companhia avance.

Para o BofA, avançar significa reduzir a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) dos atuais 5,2 vezes para 3 vezes, nível mais próximo ao da BRF – Brasil Foods. Por questões de metodologia, esses números são diferentes dos divulgados pela Marfrig em seu último balanço, que reportou alavancagem de 3,73 vezes. Os cálculos do banco incluem pagamentos de juros, debêntures e operações de leasing, entre outros.

Para que as ações Marfrig consigam um melhor desempenho, o BofA sugere quatro medidas. A primeira delas – e mais importante – seria a capitalização da Seara Foods ou a venda de ativos, cujo objetivo seria a captação de R$ 2 bilhões para a redução do endividamento. No caso dos ativos, a instituição afirma que a venda da operação de bovinos seria uma "escolha óbvia". Segundo o BofA, a momento favorável para os frigoríficos de bovinos no Brasil, que trabalham com maior oferta de animais para abate e melhores margens, poderia favorecer a opção.

Hoje, a Marfrig Beef, divisão que contempla as operações de bovinos da empresa, é responsável por 46% das receitas da companhia. Fontes próximas à empresa afirmam, contudo, que não existe interesse em vender a divisão. Mas as fontes dizem que ainda está no radar uma parceria na área de logística, e que os ativos da companhia nessa área deverão fazer parte de um acordo que pode ser fechado no curto prazo.

Já a opção pela capitalização da Seara poderia acontecer por meio de um investidor estratégico ou pela abertura de capital da divisão. Na hipótese de um IPO, o BofA calcula que a Seara Foods iria à bolsa com um valor de mercado na faixa de R$ 9,4 e R$ 10 bilhões. Procurada, a Marfrig preferiu não comentar o relatório dos analistas do banco, mas o Valor apurou que uma emissão de ações da Seara Foods não agrada.

Uma nova emissão de ações da própria Marfrig é considerada improvável pelo BofA. Isso porque a operação diluiria a participação do controlador, o CEO e presidente Marcos Molina. Ele detém 48,75% do capital da Marfrig, mas essa fatia já será reduzida em 2015, quando o BNDES converterá debêntures compradas em 2010 em ações. Hoje, o banco detém 13,95% do capital.

Entre as outras medidas sugeridas, o BofA cita a própria gestão da Seara Foods, que deve ampliar as margens com os ativos adquiridos da BRF. O banco elenca, ainda, a escolha de um novo CEO, para eliminar a sobreposição dos papéis de CEO e presidente – funções hoje exercidas por Molina. Se for bem sucedida na reestruturação sugerida, as ações da Marfrig poderiam atingir R$ 22, de acordo com o BofA.

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr., Luiz Henrique Mendes e Fernando Lopes | De São Paulo

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