BNDES eleva participação na Marfrig

Silvia Costanti/Valor

Maior acionista, Molina ampliou sua participação na Marfrig nos últimos meses

A Marfrig Global Foods oficializou ontem a conversão em ações das debêntures detidas pela BNDESPar, o braço de participações do banco estatal. Ao todo, 214,9 mil debêntures serão convertidas em 99,9 milhões de ações da companhia brasileira, ao preço de R$ 21,50 por ação.

Com a conversão, a BNDESPar ampliará sua participação no capital da Marfrig de 19,6% para aproximadamente 33%. Com o aumento de sua participação, o banco também terá direito a dois assentos no conselho de administração da Marfrig. Até então, a BNDESPar só tinha uma vaga.

O fundador da Marfrig, o empresário Marcos Molina, e sua esposa Márcia Marçal dos Santos, seguirão como os maiores acionista da companhia por meio da MMS Participações. Nos últimos meses, Molina elevou sua fatia no capital da Marfrig para se manter como o principal acionista da empresa.

Em 2 de agosto do ano passado, o empresário, sua esposa e a MMS Participações tinham, juntos, 30% do capital da Marfrig. Na semana passada, a companhia informou que a participação dos controladores chegou a 40,2% do capital total. Com a conversão das debêntures em ações, a fatia de Molina deve ficar acima de 34%.

Em comunicado enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Marfrig informou que depositará as ações em até seis dias úteis – ou seja, até 3 de fevereiro – para entrega ao BNDESPar, conforme determinavam os termos das debêntures subscritas pelo banco.

O braço de participações do banco estatal comprou as debêntures obrigatoriamente conversíveis da Marfrig em 2010, quando investiu R$ 2,5 bilhões. Na época, os recursos foram utilizados pela companhia para financiar a aquisição da americana Keystone.

A conversão das debêntures em ações foi bem-recebida no mercado. Ontem, as ações da Marfrig fecharam a R$ 6,60 na BM&FBovespa, com alta de 5,09%, a segunda maior do Ibovespa.

Para os investidores, a conversão das debêntures é positiva na medida em que a Marfrig deixará de pagar os juros anuais das debêntures conversíveis, conforme destacou o banco Santander, em relatório a clientes divulgado no início desta semana. No último pagamento de juros, realizado ontem pela companhia, a Marfrig desembolsou R$ 326,6 milhões à BNDESPar.

Procurado pelo Valor, o BNDES não se manifestou. (Luiz Henrique Mendes, com a colaboração de Francisco Góes, do Rio)

Por De São Paulo

Fonte : Valor

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