BIOTECNOLOGIA PARA O MILHO NO ESTADO SÓ 25% ADOTAM O REFÚGIO

Apenas 25 a cada cem produtores de milho no Estado adotaram a área de refúgio na safra 2013/2014, principal recomendação técnica para prolongar a eficiência da tecnologia Bt. Além do baixo percentual, a proporção só cai desde a introdução em 2008. Preocupada, a Monsanto começou uma campanha nacional. A partir deste mês, agricultores têm 30% de desconto na compra de sementes de milho não-Bt das marcas da multinacional, destinadas ao plantio da área de refúgio. A meta é que ele seja feito por 70 a cada cem agricultores já nesta safra.

A campanha vale para toda a safra 2014/2015, estendendo-se até dezembro. Segundo Cesar Barros, gerente de Marketing para Milho e Sorgo da Monsanto, a média gaúcha é semelhante à do país. Em sua percepção, o comportamento está relacionado ao custo, já que a indústria investiu pesado em campanhas educacionais sobre a importância do manejo. De acordo com Barros, dados globais mostram lavouras sem indivíduos resistentes após mais de oito anos de uso do milho Bt. ‘Estamos muito preocupados com a velocidade que está caindo o refúgio.’

Dados da consultoria Céleres indicam que 88% da área de milho do Rio Grande do Sul, que foi de 956,2 mil hectares na safra passada, é cultivada com transgênicos. Na visão do presidente da Apromilho, José Cláudio de Jesus, a falta de mão de obra dificulta a adoção do refúgio, que requer, por exemplo, regulagem de máquinas devido às características de minifúndio no Estado. Contudo, em sua opinião, o que mais pesa ainda é a falta de informação. Para ele, as campanhas foram insuficientes. José Cláudio acredita que a maioria sabe que o refúgio existe, mas não está consciente de sua importância. ‘O que estamos acompanhando é que já temos perda de tecnologia por falha no manejo, acho positiva a iniciativa da indústria.’

Por que o manejo é importante

A melhor maneira de evitar o desenvolvimento de populações de insetos resistentes ao milho Bt é combinar lavouras de Bt com áreas plantadas com híbridos sem a tecnologia. Dessa forma, os poucos possíveis insetos resistentes que sobreviverem na lavoura Bt irão cruzar com insetos suscetíveis presentes na lavoura de milho não Bt.

Fonte: Correio do Povo

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