Biotecnologia agrega valor às sementes de milho e soja

Novas cultivares de soja e milho mais resistentes e produtivas são testadas por agricultores brasileiros antes de chegar ao mercado

por Luciana Franco e Sebastião Nascimento

Editora Globo

FIATIKOSKI testou a soja intacta da Monsanto. A Dow apresentou o milho PowerCore

Segundo maior produtor de transgênicos do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, o Brasil deve cultivar 31,8 milhões de hectares com sementes geneticamente modificadas na safra 2011/2012 – um crescimento de 20,9% em relação à área do ano passado. No caso da soja, a área com OGM atingirá 85,3%. Já no milho, serão 82,9%. Ávidos por novas tecnologias, os agricultores brasileiros se tornaram um mercado tão importante que as grandes multinacionais optaram por lançar suas novas tecnologias aqui.
Em março, foi realizada, em Goiânia, a colheita de uma nova linhagem de soja transgênica desenvolvida exclusivamente no Brasil. O sojicultor Paulo Roberto Fiatikoski a plantou em sua propriedade no município de Piracanjuba (GO). Denominada Intacta RR2 PRO, está sendo avaliada sob o inclemente clima tropical, no qual os ataques de insetos, como as lagartas-da-soja, não dão trégua às lavouras.
A Monsanto, que desenvolveu a Intacta, selecionou outros 500 sojicultores de Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná para testar a nova semente. Para Rogério Andrade, responsável pela apresentação do produto no Brasil, o diferencial da Intacta é o potencial produtivo maior.
“Ela possui ainda tolerância ao glifosato, como outras sementes modificadas.” Rogério continua: “Nós chamamos o advento da Intacta como a segunda onda da biotecnologia”. Segundo o agricultor Paulo Roberto, a produtividade da Intacta realmente superou a da variedade RR, que ele cultiva há vários anos. “Conseguimos excelentes 65,8 sacas por hectare, na comparação com as 55,3 sacas da RR.” Além disso, ressalta, os custos caíram, por conta de não haver, no caso da Intacta, necessidade de combater as lagartas.
A Dow AgroSciences também apresentou, em Ribeirão Preto (SP), no mês passado, seu novo milho, o PowerCore, que contém cinco genes modificadores. O lançamento do novo produto acontecerá no segundo semestre do ano e colocará o agricultor brasileiro na liderança dessa tecnologia. “Escolhemos o Brasil para fazer o lançamento mundial desse produto por conta da relevância que o país tem como protagonista na produção mundial de alimentos”, disse Rolando Alegria, diretor de sementes, biotecnologia e óleos saudáveis da Dow AgroSciences.
Hoje, são comercializadas no Brasil sementes transgênicas contendo dois genes modificadores: um tolerante a herbicidas e outro resistente a lagartas. O produto da Dow tem dois genes tolerantes a herbicidas e três genes resistentes a pragas, o que amplia no país o espectro de lagartas combatidas. A estimativa da companhia é que a nova variedade substitua gradativamente a atual (Herculex). Para Ramiro de La Cruz, presidente da Dow no Brasil, a nova tecnologia deve elevar entre 10% e 12% a produtividade das lavouras.

Fonte: Globo Rural

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