Biosev teve prejuízo de R$ 506 milhões no 1º trimestre da safra

A disparada do dólar entre abril e junho deste ano pesou sobre os resultados da Biosev, controlada da Louis Dreyfus Company (LDC), no primeiro trimestre da safra 2018/19. Além de ter ampliado o tamanho da dívida, a variação cambiou inflou o tamanho das despesas financeiras, que colaboraram para que a companhia terminasse o trimestre com prejuízo de R$ 506,5 milhões.

Em comparação com o mesmo trimestre da safra passada, o prejuízo foi 12,3% menor. Essa diferença deveu-se a um impacto positivo de imposto de renda diferido no valor de R$ 151 milhões, explicou a Biosev, em nota.

No primeiro trimestre, apenas a variação cambial teve efeito negativo de R$ 525,5 milhões. Não fosse esse impacto, o resultado financeiro líquido seria negativo em R$ 12,9 milhões, bem abaixo de um ano atrás devido à redução das despesas com juros e a ganhos com derivativos.

No lado operacional, a receita ficou em R$ 1,9 bilhão, redução de 2% na comparação anual. Houve forte retração das vendas de açúcar por causa da paralisação dos caminhoneiros e pela decisão da companhia de carregar o produto em estoque. No fim do período, a Biosev tinha estocadas 173 mil toneladas de açúcar, mais que o dobro de um ano antes.

O faturamento só não caiu mais porque a Biosev elevou as vendas de etanol no mercado interno e de energia cogerada do bagaço da cana, além de ter obtido mais receitas com trading de commodities – negócio que também tem custo maior.

A redução das vendas de açúcar, porém, pesou sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (excluído efeitos de revendas e da contabilidade de hedge em moeda estrangeira), que caiu 13%, a R$ 245 milhões. Mas a margem Ebitda melhorou – em 0,8 ponto, para 23,7% – ante a redução dos custo de produção e de despesas com vendas.

A alta do dólar também ajudou a aumentar o peso da dívida no balanço, já que enquanto 86% da dívida bruta de R$ 6,3 bilhões da Biosev estava indexada ao dólar, apenas 33,3% do caixa de R$ 1,3 bilhão estava atrelada à moeda americana.

Assim, a dívida líquida cresceu quase 50% entre o fim do quarto trimestre da safra 2017/18 e o fim do último período, a R$ 4,966 bilhões. Além do câmbio, a alta refletiu o aumento de captações e pagamentos de passivo relacionado a adiantamentos à LDC de R$ 718 milhões. Ao fim do trimestre, o índice de alavancagem subiu para 2,9 vezes – era de 2,1 vezes no trimestre anterior.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor