Biosev registrou resultado positivo

Apesar de um cenário de preços mais baixos de açúcar e etanol no segundo trimestre da safra 2017/18, a Biosev registrou um lucro líquido de R$ 33 milhões no período, uma alta de 40% ante o mesmo período do ciclo passado.

Segundo a companhia, o resultado positivo deriva principalmente do reflexo da queda do dólar sobre as despesas financeiras. O recuo da moeda americana gerou um saldo financeiro positivo de R$ 36 milhões no trimestre – um ano antes, o saldo havia sido negativo em R$ 234,8 milhões.

No lado operacional, a Biosev aprofundou seu programa de redução de custos e aumento de produtividade. Dessa forma, enquanto a receita líquida (incluindo os ganhos com a revenda de produtos) recuou 20%, para R$ 1,8 bilhão por causa dos preços menores de açúcar e etanol ante igual período da safra passada, o custo total dos produtos vendidos caiu na mesma proporção, 20%, a R$ 1,4 bilhão.

Rui Chammas, presidente da Biosev, disse, ao Valor, que a companhia está buscando "trazer a operação para o menor custo possível", o que tem implicado na intensificação da adoção de tecnologias para elevar a produtividade agrícola, na redução do portfólio de produtos e em demissões.

A companhia não soube precisar quantas demissões foram relacionadas ao programa de produtividade, mas as rescisões contratuais desde o início da safra geraram gastos de R$ 15 milhões.

Chammas disse que a empresa tem conseguido reduzir a necessidade de investimentos em plantio, já que os canaviais estão mais produtivos por mais tempo. O próximo passo é diminuir os gastos com tratos culturais, especialmente com fertilizante, através do uso de vinhaça.

O passo mais recente nesse ciclo de ajustes internos foi anunciado ontem, com a decisão de suspender as operações da Usina Maracaju, em Mato Grosso do Sul, na próxima safra (2018/19). Toda a cana processada na planta irá para as unidades vizinhas Passa Tempo e Rio Brilhante, que operarão com capacidade máxima, o que deve diluir os custos. Com a decisão, cerca de 500 funcionários serão demitidos.

Essa mudança, segundo o executivo, tende a reforçar o caixa da companhia, até porque as duas usinas produzem energia a partir do bagaço de cana, enquanto de Maracaju não tem cogeração.

Outro ponto que contou a favor na contabilização dos custos totais do segundo trimestre foi o ganho de R$ 153,2 milhões com a mudança no valor justo do ativo biológico (canavial), já tirados os custos estimados com as vendas.

Entretanto, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, excluindo atividade de revenda e contabilidade de hedge, caiu 23%, para R$ 401 milhões, e a margem Ebitda recuou 1,9 ponto percentual, para 33,1%.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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