Biosev prevê elevar preço de açúcar

A Biosev, segunda maior produtora de açúcar e etanol do país, prevê elevar o preço médio de venda de açúcar da safra atual (2015/16) na medida em que os embarques ao exterior forem sendo realizados. "Esperamos ter uma evolução importante no preço. Há volumes a embarcar que estão expostos ao Consecana [conselho que define os preços pagos pela cana] e que devem elevar o preço médio atual", disse Rui Chammas, presidente da companhia

Nos primeiros seis meses da atual safra (abril a setembro), a Biosev vendeu 1,107 milhão de toneladas de açúcar ao preço médio de R$ 1,003 mil por tonelada, 4,47% abaixo da média do mesmo período da temporada passada.

Já para o açúcar vendido no mercado futuro, via instrumentos de hedge, a companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, informava que, em 30 de setembro, detinha contratos de venda de 1,595 milhão de toneladas de açúcar, ao preço médio de 41,54 centavos de real por libra-peso – considerando o hedge de açúcar na bolsa de Nova York e contratos de hedge cambial.

Esse preço médio está abaixo do registrado por outras companhias do segmento. A São Martinho, por exemplo, em 30 de setembro apresentava hedge médio de 49,17 centavos de real por libra-peso. No caso da Raízen, o valor foi de 44,2 centavos de real por libra-peso. As informações constam dos balanços publicados por essas empresas.

A Biosev não informa em seu guidance sua projeção para a produção de açúcar em 2015/16. Mas, no ciclo passado, a companhia produziu 1,623 milhão de toneladas.

A investidores em São Paulo, o presidente da Biosev disse na sexta-feira que o açúcar entrou em um ciclo de alta no mercado internacional, após cinco safras de baixa, e que o retorno que o segmento no Brasil terá com essa fase positiva será prioritariamente direcionado para reduzir endividamento.

Em 30 de setembro, a dívida líquida da Biosev era de R$ 6,4 bilhões, o equivalente a 4,2 vezes seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Paulo Prignolato, disse que a meta é reduzir esse nível para 2,5 vezes no prazo de 18 a 24 meses.

"Apesar de a alavancagem ter ido este ano a 4,2 vezes, o que ocorreu devido à forte valorização do dólar, até o fim da safra, em 31 de março, esse índice deve cair para níveis abaixo de 3,5 vezes, que é o teto dos nossos ‘covenants’", afirmou Prignolato. O executivo lembra que, em 31 de março deste ano, o índice de alavancagem da empresa foi de 3,2 vezes.

Por Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor

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