Biosev parte em busca de valorização e maior liquidez de suas ações

Regis Filho/Valor / Regis Filho/Valor
"Em torno de 86% da produção de açúcar da empresa tem hedge com preço 28% acima da cotação atual", diz Akli

Passado o período de reclusão que culminou na abertura de seu capital no Novo Mercado da BM&FBovespa, a companhia sucroalcooleira Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), inicia uma etapa pouco usual a uma empresa que até então tinha capital fechado: estabelecer os alicerces para convencer os acionistas de que seus papéis podem valer mais e, assim, criar condições para o desenvolvimento de seus projetos de longo prazo.

Argelino de cidadania francesa, Christophe Malik Akli é o líder dessa empreitada, cuja primeira escala é a apresentação de uma boa performance operacional, com destaque para a comercialização. Há mais de um ano, Akli assumiu a posição de CEO da Biosev, segunda maior produtora de açúcar e etanol do país e na qual o executivo já trabalhava quando ainda era um negócio com pouco mais de 5 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana. E ele foi protagonista dos passos seguintes de crescimento da empresa, inclusive naquele que, não sem algumas turbulências, resultou na compra das usinas da Santelisa Vale, em 2009, que transformou a Biosev em uma gigante com capacidade para 37,9 milhões de toneladas.

Mas, concluída a abertura de capital, o principal desafio não é pequeno. Reverter a desvalorização dos papéis na bolsa – hoje da ordem de 9% ante o valor de R$ 15 da oferta inicial de ações – e aumentar a liquidez diária. Em entrevista exclusiva ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, Akli afirmou estar confiante de que a reversão ocorrerá, mas disse que será vital deixar claros aos investidores alguns fatores positivos relativos à empresa que ainda não são bem compreendidos.

O principal deles é a importância do hedge de açúcar feito para a safra 2013/14. Até 31 de dezembro, a Biosev havia precificado em torno de 1,4 milhão de toneladas de açúcar, ou 86% de sua exposição líquida (total da produção, menos o devido a fornecedores), a uma média de 45 centavos de real por libra-peso. O valor é 28% maior que a atual cotação da commodity e 4,6% mais alto que os 43 centavos de real do hedge do ciclo 2012/13.

"Mas apesar de essa posição já ser pública, eu não sei se o mercado compreendeu bem que as atuais quedas do açúcar têm pouco impacto no nosso resultado neste momento, pois já precificamos a maior parte da nossa produção para 2013/14", afirmou Akli.

Na oferta inicial, a Biosev vendeu suas ações ao valor unitário de R$ 15. Na sexta-feira, os papéis tiveram alta de 0,95% e alcançaram R$ 13,85. Desde o início da negociação das ações, em 19 de abril, a queda acumulada é de 8,3%. Esse movimento de curto prazo, avaliou Akli, faz parte da mecânica de uma oferta dessa natureza. "Uma parte dos investidores comprou o combo ‘ação/opção’ a R$ 15,25 e vendeu na sequência a R$ 16. Mas o funcionamento no longo prazo é outro".

Alguns potenciais investidores, disse o executivo, aguardam o aumento da liquidez da ação para apostar na companhia. Isso deve estimular a valorização da ação. "Por enquanto, o montante diário transacionado é relativamente pequeno. Mas a divulgação dos resultados do ciclo passado, em algumas semanas, já deverá trazer algum efeito mais positivo", disse.

Algumas projeções para o resultado da última safra, a 2012/13, já foram informadas. A receita líquida foi projetada entre R$ 4,069 bilhões e R$ 4,187 bilhões, o que significaria um crescimento de até 23%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado com o valor justo dos ativos biológicos deverá alcançar, segundo a empresa, entre R$ 1,332 bilhão e R$ 1,417 bilhão, até 24% acima da temporada anterior.

No inusitado IPO, no qual ofereceu aos investidores das ações da Biosev a garantia de recomprá-las em 15 meses, a Louis Dreyfus apostou que, até lá, o papel da companhia subirá até pelo menos R$ 16,57, preço que torna desvantajoso ao titular exercer a opção de venda ao controlador.

Caso contrário, a multinacional francesa teria que recomprar os papéis que têm essa garantia de revenda, o que significaria um desembolso de cerca de R$ 600 milhões – o cálculo considera as 37,4 milhões de ações que têm opções garantidoras e que, potencialmente, podem ser vendidas a R$ 16,57 daqui 15 meses.

O valor não é desprezível se for considerado que a Biosev captou R$ 700 milhões na oferta inicial na esteira de uma aposta elevada da multinacional francesa. Somando-se o aumento privado de capital, em fevereiro, e o IPO, em abril, a multinacional francesa aportou R$ 600 milhões no negócio sucroalcooleiro.

A almejada valorização de pelo menos 19% – de R$ 13,85 para R$ 16,57 -, é uma meta e tanto, já que as cotações do açúcar definham, apesar do melhor momento do etanol. A Biosev tem ainda 14% do açúcar a precificar para 2013/14. Mas a companhia terá como aliada uma maior moagem de cana em 2013/14. A previsão é de alta de 20%, para 33 milhões de toneladas. "Isso significará aumentar nossa geração de caixa livre, após investimentos".

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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