Biogénesis Bagó vai concentrar produção de vacinas na China

A argentina Biogénesis Bagó, maior fabricante de vacinas contra a febre aftosa da América Latina, passará a concentrar sua produção na Ásia. O crescimento da participação da empresa no mercado brasileiro não a animou a produzir no país ou a expandir sua produção na Argentina. "Apenas a Ásia proporciona escala para um crescimento rápido que justifique uma nova fábrica", afirmou o diretor-geral da empresa, Guillermo Mattioli.

A Biogénesis Bagó produz atualmente cerca de 200 milhões de doses de vacinas contra aftosa por ano em sua fábrica localizada em Garín, na Província de Buenos Aires. Com esta unidade, domina o mercado na Argentina, de onde vem 50% de seu faturamento anual da ordem de US$ 150 milhões, e cresce com exportações para o Brasil, onde já detém participação de 17% desse mercado. O Brasil representa 23% da receita anual da empresa.

É uma fatia que tende a diminuir dentro de dois anos, embora o país também deva receber investimentos do grupo. A Biogenesis Bagó exporta produtos veterinários para quinze países, mas mantinha fábricas apenas na Argentina. Neste ano, deverá começar a elaborar dois parasiticidas na região de Sorocaba, no interior paulista, em um espaço adquirido na indústria veterinária Ipanema, que elabora produtos para outras empresas.

Em parceria com sócios chineses – a empresa Hile Biotechnology -, a Bagó está construindo uma fábrica de 400 milhões de doses anuais em Xian, na China, em um investimento de US$ 60 milhões. E espaço para crescer não falta na China, onde o vírus da febre aftosa cursa livremente em uma população de 600 milhões de suínos, 300 milhões de ovinos e cerca de 90 milhões de cabeças de gado bovino.

"O mercado potencial chinês é de 1,8 bilhão de doses por ano e o governo autorizou, pela primeira vez, a atuação de empresas privadas estrangeiras na fabricação de vacinas no país", afirmou Guillermo Mattioli. Existem sete fabricantes na China, que consome cerca de 60% da produção mundial de vacina contra aftosa.

De acordo com estatísticas da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em 2008 havia 10,9 milhões de suínos e 2,8 milhões de bovinos infectados com a doença na China. A fábrica de Xian, construída em parceria com empresários de Xangai, se chamará Jing Hai.

Já na América Latina, o mercado é de 600 milhões de doses e o controle da doença é crescente – inclusive no Brasil, onde a tendência é que cada vez mais Estados conquistem o status de livres do mal sem vacinação. "Trabalhamos com o cenário de que possivelmente cresçam as áreas livres de vacinação no continente", afirmou Mattioli. Já não há vacinação na Patagônia argentina, no sul do país, e no Chile. No Brasil, a vacinação é dispensada em Santa Catarina.

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Fonte: Valor | Por Cesar Felício | De Buenos Aires

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