BB vai ofertar R$ 110,5 bi na temporada

Conforme Dias, BB mantém índice de inadimplência "baixíssimo", de 0,8%
Ao anunciar que suas 4.680 agências que operam com crédito rural começaram desde ontem a liberar financiamentos para a safra 2015/16, o Banco do Brasil informou que deverá ofertar R$ 110,5 bilhões para a agricultura empresarial e familiar até o dia 30 de junho do ano que vem.

O montante inclui R$ 81,5 bilhões a juros controlados, com taxas de 7,5% a 10,5% ao ano, e outros R$ 29 bilhões a juros livres, cujas taxas ainda não foram definidas pelo banco – mas especialistas já projetam um patamar de até 20% ao ano.

Produtores de todo país, contudo, estão preocupados com a abundância de crédito a juros livres trazido pelo Plano Safra 2015/16 – de R$ 57,9 bilhões, contra R$ 23,5 bilhões do ciclo 2014/15. Esse valor ficará à disposição de produtores principalmente a partir de captações de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que são títulos lastreados em financiamentos rurais.

Muitos agricultores vêm se queixando por não terem conseguido contratar financiamentos junto ao BB até o fim de junho (quer marcou o encerramento da temporada 2014/15) para pré-custeio. Diante da insuficiência de recursos controlados, como poupança rural e depósitos à vista, o banco passou a praticar um "mix" com recursos próprios, o que levou as taxas a 10,5%.

Apesar de ter afirmado há duas semanas ao Valor que "certamente os juros livres ficarão acima da taxa básica de juros Selic [que está em 13,75% ao ano, e deverá fechar o ano em torno de 14%] na safra 2015/16", ontem o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, preferiu ser mais cauteloso. E não revelou o valor médio das taxas de juros livres a serem praticadas até junho de 2015.

"Quem faz o cálculo de taxa é outra área do banco. Mas é evidente que temos uma Selic maior neste ano e isso pressiona para que tenhamos uma taxa maior que a praticada naquele momento [safra passada]. Até porque se a gente for fazer ‘mix’ é uma coisa, se não fizer ‘mix’ é outra taxa".

Do volume total de crédito rural a ser ofertado em 2015/16, R$ 90,5 bilhões serão destinados para produtores e cooperativas – além dos R$ 57,9 bilhões a juros controlados, outros R$ 9 bilhões a juros livres irão para custeio (modalidade que portanto somará R$ 66,9 bilhões), e mais R$ 23,6 bilhões para investimentos a juros controlados. Outros R$ 20 bilhões em recursos também serão emprestados a juros livres, mas para as agroindústrias.

Para a agricultura familiar, serão R$ 17,7 bilhões. Outros R$ 14,5 bilhões serão para médios produtores e R$ 58,7 bilhões para a agricultura empresarial.

A despeito de algumas previsões do mercado de que a grande oferta de financiamento a juros livres pode aumentar o endividamento rural, Dias informou ontem que o Banco do Brasil mantém um índice de inadimplência "baixíssimo", de 0,8%.

Fonte: Valor |  Por Cristiano Zaia | De Brasília

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