BB vê grãos em queda e custos altos em 2013/14, mas margens elevadas

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Osmar Dias, vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil: depois da seca nos EUA em 2012, estoques seguem baixos

Custos de produção em alta no campo, mas margens brutas elevadas ao produtor. Cotações de algumas commodities em trajetória descendente, mas preços ao consumidor ainda acima de médias históricas. Esse é o cenário traçado pelo Banco do Brasil para a safra de grãos 2013/14, a ser iniciada oficialmente em julho.

Maior financiador do agronegócio no país, com 63% do mercado de crédito rural, e dono de uma extensa rede de agrônomos e economistas espalhados em suas agências pelo país, o BB projeta uma colheita mais equilibrada em 2014. Mas alerta para uma eventual, e potencialmente catastrófica, repetição da seca ocorrida nos Estados Unidos em 2012.

"Teremos preços um pouco menores em relação ao ano passado, quando houve uma forte quebra da safra americana, mas que ainda ficarão acima da média histórica", afirmou o vice-presidente de Agronegócios do BB, Osmar Dias, ao Valor PRO, o serviço de informações em tempo real do Valor. "Deve haver uma depressão agora, mas que pode ser recuperada no segundo semestre. Assim, teremos mais equilíbrio no fim".

O banco público prevê, ainda, uma produção total de 182 milhões de toneladas de grãos no Brasil na atual safra 2012/13, resultado quase 2% abaixo da previsão de 185 milhões de toneladas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Quebras por seca em algumas regiões e por excesso de chuvas na colheita em outras áreas devem reduzir a previsão da Conab, segundo o BB.

Neste cenário, a inflação dos alimentos tende a continuar assombrando o governo. O Banco do Brasil acentua a avaliação feita pela Conab sobre a permanência de pressões inflacionárias no setor agropecuário no ano que vem. Na terça-feira da semana passada, a autarquia apresentou a um conselho de ministros que debate a reestruturação da política de estoques projeções pouco animadoras.

A Conab previu que os preços dos alimentos só dariam um refresco à inflação em 2014. Mas a elevação das margens, prevista pelo BB a partir da pressão de custos, deverá manter os preços ainda relativamente elevados ao consumidor no próximo ano.

Para a nova safra, o BB acaba de finalizar um cenário para importantes produtos, ao qual o Valor Pro teve acesso. O milho, cujos preços dispararam em 2012, pressionando as cotações do complexo carnes, deverá ter elevação de 7% nos custos médios de produção. Defensivos e fertilizantes encareceram. Ainda assim, a margem de lucro bruta para o grão colhido no verão tende a ser da ordem de 30%.

Esse cálculo considera apenas os custos operacionais, sem depreciação e remuneração do capital fixo, inclusive a terra. Os preços futuros para a colheita de 2014 em relação aos obtidos neste ano devem diminuir 15%, segundo projeções baseadas em cotações da bolsa de Chicago e da BM&FBovespa. É a pressão da safra cheia, embora o mercado externo seja favorável.

Na soja, carro-chefe do agronegócio nacional, os custos deverão subir 10% ante 2012 e os preços tendem a cair 14% devido às boas safras da América do Sul e dos EUA. Mesmo assim, a margem será a maior entre todas as culturas: 41%. Para o arroz, essencial para a cesta básica, a estimativa é de custos 5% superiores aos da safra atual por causa da alta na mão de obra, e preços 4% menores em razão da oferta maior na safra. Mas a margem bruta projetada é de 32%.

No algodão, commodity fortemente influenciada por crises econômicas globais, mas com demanda interna aquecida, as lavouras serão 3% mais caras e os preços, relativamente estáveis. A margem bruta ficará em 35%. Para o café, o cenário é bastante ruim, segundo o BB, por causa da elevação do salário mínimo e estoques abundantes: custos 7% superiores, preços 14% inferiores e margem bruta negativa de 5%.

"Esse é o cenário hoje. Claro que pode mudar, a depender do clima", diz o executivo do BB. No cenário global, o banco público prevê demanda sustentada, principalmente, pela mudança de hábitos alimentares na China, que deverá seguir como motor do consumo de alimentos.

Os estoques deverão permanecer baixos e a oferta pode sofrer novamente com uma seca no cinturão agrícola dos EUA. No Estado de Iowa, por exemplo, o BB diz já ter sido detectado sinal inquietante de déficit hídrico – o que poderia resultar em nova quebra na safra local. "Ainda não dá para afirmar que haverá seca. Mas se acontecer será um ‘deus nos acuda’, com pressão muito forte sobre os preços", alerta Osmar Dias.

A forte redução na colheita dos EUA em 2012, aliás, deverá manter a pressão sobre o setor nos próximos anos, prevê o cenário do BB. "O mundo levará mais três ou quatros temporadas para se recuperar da quebra da safra americana no ano passado", diz o vice-presidente. Além disso, a demanda por milho para fabricação de etanol por lá deverá superar 130 milhões de toneladas, ou 30% do total estimada para o grão. Ou seja, oferta mais ajustada em tempos de demanda robusta.

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Fonte: Valor | Por Mauro Zanatta | De Brasília

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