BB prevê margens ainda positivas em 2012/13

Depois de seguidos anos de boas margens e ganhos reais para os produtores, a safra 2011/12, que se encerra este mês, registrou quebras e prejuízos em algumas regiões do país em razão de problemas climáticos. Esse prejuízo que será amargado por agricultores, principalmente no Sul e no Nordeste, deverá ser parcialmente compensado na próxima safra, conforme prevê o Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio brasileiro.

Ainda que as margens dos produtores devam ser positivas, a tendência é que fiquem abaixo das médias dos dois últimos ciclos por causa da alta dos custos, problemas meteorológicos e queda de preço das commodities. Os custos estão em alta e a receita deverá ser menos remuneradora do que os dois últimos anos devido a uma tendência de queda no preço das commodities no mercado externo e da alta do dólar em abril, maio e junho, quando os agricultores compram insumos pensando no plantio do ciclo seguinte.

"As margens devem ser em geral menores do que nas safras 2010/11 e 2011/12, mas ainda assim serão atrativas aos produtores", diz Álvaro Tosetto, gerente executivo da diretoria de Agronegócios do BB.

Essa queda prevista no valor das commodities no longo prazo pode variar de intensidade de produto a produto, mas ela está consolidada no caso do milho. O Banco do Brasil já prevê que as margens dos produtores na safra 2012/13 devem ser menores do que a atual em quase todos os Estados, menos no Rio Grande do Sul e Paraná, que já sofreram por causa da seca na safra atual. "A grande produção nacional graças à safrinha que está sendo colhida, e a supersafra americana do grão, devem aumentar a oferta do produto e pressionar a cotação para baixo", diz Tosetto.

"A soja será uma exceção. Como os estoques mundiais estão baixos e a produção global deve permanecer estável, os preços tendem a continuar nos patamares atuais. Mesmo assim, a alta nos custos vai reduzir as margens", avalia.

Ainda que seja cedo para prever problemas climáticos, técnicos do banco avaliam que existe a possibilidade do fenômeno El Niño se manifestar. Ao contrário do La Niña, visto esse ano, as variações de precipitações seriam diferentes, com chuvas no Sul e seca no Centro-Norte.

A alta dos custos passa diretamente pelo do reajuste do salário mínimo e pelas compras de defensivos agrícolas e fertilizantes com o dólar mais alto. "Além do aumento do salário mínimo, o que se vê é que muita gente tem ido para outras atividades, como a construção civil, reduzindo e tornando mais cara a mão de obra", comenta Tosetto.

Para tentar frear o prejuízo, os produtores adiantaram suas compras. O Banco do Brasil registrou um recorde na linha de custeio antecipado. A partir de fevereiro, os produtores puderam contratar recursos para a compra de insumos que serão usados para plantar a safra de setembro e outubro. Para o ciclo 2012/13, já haviam sido liberados R$ 2,050 bilhões até o final de maio. No mesmo período da safra passada, o valor foi de R$ 1,470 bilhão.

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Fonte: Valor | Por Tarso Veloso | De Brasília

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