BB ‘contraria’ indicadores e aumenta empréstimos

Osmar Dias, vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, fala sobre a liberação de crédito pela entidade.

Postado em 13 de abril de 2015

Osmar-Dias

Autor: Flávio Bernardes, especial para Gazeta do Povo

O Plano Agrícola e Pecuário 2014/15 (PAP) entra na reta final com menos demanda que na última safra. Conforme informações da Matriz de Dados do Crédito Rural, divulgada pelo Banco Central, entre julho do ano passado e março desse ano foram financiados R$ 116,3 bilhões em recursos dentro do plano. O montante é 5,1% inferior em relação as liberações do ciclo anterior. Mesmo assim, o Banco do Brasil, principal agente financeiro da agricultura nacional, vive um cenário inverso, garante o vice-presidente de Agronegócio da entidade, Osmar Dias. Ele diz que liberação de recursos aumentou 13%, mas reconhece, porém, que a oferta está mais restrita para não faltar recursos no fim da safra. O Banco responde por 65% do volume total de crédito rural e, acompanhando o cenário econômico, já espera juros mais altos e crédito não tão farto para a safra 2015/16.

Alguns produtores reclamam que não estão conseguindo crédito no Banco do Brasil. O próprio secretário de política agrícola do Mapa, André Nassar, disse recentemente que o BB está sendo pressionado, sem saber exatamente a quais taxas emprestar. Isso realmente está acontecendo?
Acho que o secretário deve ter cometido um equívoco. O governo estabelece, por meio de uma portaria, os volumes que nós podemos emprestar em cada linha e a taxa de juros cobradas. Quando o governo anunciou R$ 156 bilhões para a safra 2014/15, R$ 90 bilhões eram recursos equalizados. Nós temos um limite para atuar dentro de cada linha. Como até dezembro, nosso desembolso ocorreu num percentual de 24% [considerando o índice da agricultura familiar] acima da safra passada, ficamos evidentemente com um limite bastante apertado. O que nós tivemos foi uma reclamação justa em relação ao pré-custeio. Quando eu cheguei ao banco, o pré-custeio começava em junho e acho que acostumei um pouco mal os produtores, porque comecei em fevereiro. E, agora, nós tivemos essa fase de contenção. Mas as pessoas precisam entender que o Banco do Brasil executa a política, não é ele quem cria a política.

Até janeiro, segundo o próprio Mapa, o volume de crédito tomado tinha sido 3,4% menor do que na última safra. Na avaliação do Banco do Brasil, a que se deve esse ritmo mais lento?

Eu posso falar pelo Banco do Brasil. Até dezembro, o banco vinha num ritmo 24% superior do que no mesmo período do ano passado. Aí, houve uma redução, porque fizemos uma mudança na curva de recurso para chegar ao fim da safra podendo atender. Hoje, na agricultura familiar, estamos com um desembolso 24% acima do que no mesmo período do ano passado. Para médios produtores, 13% superior. Demais produtores, 9% maior. Na média, nós já desembolsamos R$ 53 bilhões nesta safra, 13% acima.

O Sicredi anunciou que cresceu 30% na liberação de recursos. O Banco do Brasil também apresentou crescimento. São pontos fora da curva?
Com todo respeito ao sistema de crédito do cooperativismo, mas o Banco do Brasil tem 65% do crédito que estão nas mãos dos produtores de todo o país. Um crescimento sobre 65% tem um significado e sobre 5% outro. Não dá para comparar! O Banco do Brasil continua cumprindo a missão de banco público, atendendo aquilo que é necessário.

O senhor falou da adequação que foi feita em relação aos juros. Qual a expectativa de liberação de recursos para a próxima safra? A Faep pediu R$ 207 bilhões, o CNA está pedindo R$ 194 bilhões.

Existe uma discussão muito intensa com a Fazenda, o Tesouro e o Banco Central. Em relação a volume de recursos, a nossa proposta é tomar o que foi anunciado e está sendo feito na safra 2014/15 e colocar a inflação em cima. Isso seria uma conquista, diante do quadro de contenção que está havendo. Em relação à taxa de juros, a discussão começou num patamar muito alto. Nós entendemos que é difícil manter a taxa atual, mas ela não pode também crescer acima daquilo que representa uma proporcionalidade com o crescimento da Selic. Para ser proporcional, teria que passar de 6,5% para 8,5%.

Fonte: Gazeta do Povo