BB aumenta recursos de microcrédito para produção

Fonte: Valor | Cesar Felício | De Belo Horizonte

Ruy Baron/valor

Bendini, presidente do Banco do Brasil: expansão no microcrédito não irá afetar a rentabilidade da instituição

O Banco do Brasil irá tentar reorientar a sua carteira de microcrédito do consumo para atividades que gerem capital. Segundo o presidente da instituição, Aldemir Bendine, a rede varejista nacional não desenvolveu tecnologia para ampliar a sua atenção no setor. Bendine assinou no último dia 25 um termo de cooperação para contar com a assessoria de Mohammad Yunus, economista bengali que ganhou o prêmio Nobel de 2006. Yunus dirigiu até este mês o Grameen Bank, instituição da qual se afastou este mês por pressão do governo de Bangladesh.

"A meta é conseguirmos em um primeiro momento, este ano, uma alavancagem de R$ 1,5 bilhão", afirmou. O BB conta atualmente com uma carteira de R$ 1,1 bilhão em empréstimos de microcrédito, fundamentalmente voltado para consumo. Este valor representa um pouco menos da metade do total direcionado ao microcrédito pelo sistema financeiro.

Apesar de criado em junho de 2003, com a norma do Banco Central que determinou 2% dos montantes de depósitos da vista sejam direcionados para microcrédito ou retidos em compulsórios, muitas instituições financeiras terminam com estes montantes bloqueados por falta de investimentos nestas linhas.

"A grande dificuldade para o microcrédito voltado para a produção é que ele não é adequado com a tecnologia local de uma agência de varejo tradicional. Falta o conhecimento dos arranjos produtivos locais. O Banco do Nordeste teve os melhores resultados, mas em uma escala pequena. Vamos atuar em escala nacional, utilizando a atual rede de agências, mas capacitando agentes de crédito por meio de convênios como esse", afirmou Bendine. Entre as inovações, o executivo mencionou a possibilidade de o BB adotar o crédito solidário, por meio do qual um consórcio de tomadores recebe o financiamento e fica mutuamente responsabilizado pela eventual inadimplência. "Esta modalidade está sendo usada, com sucesso, pelo Banco do Nordeste."

O presidente do BB disse que a expansão no microcrédito não irá afetar a rentabilidade da instituição, porque serão usados recursos da Fundação Banco do Brasil e que seriam objeto de retenção do compulsório. "O impacto na rentabilidade será zero", frisou. Nos últimos meses, o BB tem sido orientado pelo governo federal a aumentar a sua oferta de crédito em áreas de interesse social. Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff determinou que o BB aumente a sua atuação no segmento de habitação popular, atuando de forma complementar à Caixa Econômica Federal no financiamento do programa "Minha Casa, Minha Vida". A expansão desta linha já deve ocorrer este ano. Segundo Bendine, a carteira de financiamento imobiliário, atividade em que o banco ingressou apenas em 2009, deve passar de R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões. O presidente do BB encontrou-se ontem com Yunus em Belo Horizonte, durante um fórum internacional de comunicação e sustentabilidade.

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