Bayer investe para ampliar produção sustentável e venda de créditos de carbono

Um projeto piloto da Bayer, com apoio da Embrapa, envolve próximo de 500 agricultores brasileiros em 14 Estados, incluindo o Rio Grande do Sul, e pretende colocar com mais força o agronegócio no mercado de créditos de carbono.

A proposta da companhia é oferecer apoio técnico e tecnologia para melhorar a sustentabilidade das fazendas, quantificar dados e, posteriormente, comercializar créditos de carbono no mercado financeiro. Cerca de 600 agricultores norte-americanos também integram o projeto.

O Iniciativa Carbono Bayer, lançado no final de 2020, foi apresentado na manhã desta quinta-feira (18) por Malu Nachreiner, presidente da divisão agrícola da Bayer, na primeira reunião do ano da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. O programa capacita produtores rurais com orientações para adotar práticas de manejo mais sustentáveis, tecnologia e análises de dados para mensuração dos resultados. Ao desenvolver melhores práticas os produtores colaboram com ambiente e com o próprio negócio, diz Malu.

Mesmo que o mercado de créditos de carbono ainda seja incipiente e pouco conhecido no Brasil, a executiva diz que a segunda etapa do programa é justamente fazer a ponte entre agricultores e esses agentes já atuantes no mercado financeiro. Para o ciclo 2021/2022 a ideia é dobrar o número de produtores no programa.

Essa comercialização e o mercado, admite a executiva, ainda é quase inexistente e pouco tangível, e há uma série de desafios.

Um deles é justamente porque a agricultura brasileira já trabalha com índices de sustentabilidade muito acima de outros países, com amplo uso de rotação de culturas e plantio direto.

"Por isso agora, com a Embrapa, estamos fazendo a modelagem de dados e falando com empresas fora do setor agrícola para verificar como, tendo esse saldo (de sequestro carbono) eu posso comercializar no mercado financeiro e conectar essas duas pontas.

Estamos aprendendo junto, mas é um mundo de oportunidades pela frente", explica Malu.

Ser mais sustentável, acrescenta a executiva da multinacional alemã, é uma questão de sobrevivência da própria agricultura brasileira. Ele destaca que as mudanças climáticas poderão provocar 17% de perdas nas lavouras e diminuir a área agricultável, com uma possível redução de 20% das terras per capita para plantio até 2050.

Na contramão desta possível redução da produção, Malu alerta que a demanda por alimentos ainda aumentará muito, juntamente com a população global. Com a previsão de aumento da população mundial em 2,2 bilhões de pessoas, a Bayer calcula que a produção do campo deveria crescer 50% nos próximos anos. Dentro dessa política e das práticas de ESG (Environmental, Social and Governance) a própria Bayer pesquisa cada vez produtos menos tóxicos.

"Mas produzir sem químicos, em um País tropical como Brasil, e com uma infinidade de pragas, não é uma realidade. Por outro lado, pesquisamos novas fórmulas, com grandes investimentos, e revisamos pelas regras ESG alguns produtos que estão no mercado. E retiramos aqueles fora desses critérios, mesmo tendo prejuízo", assegura Malu.

As emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) são um dos principais fatores para as mudanças climáticas, que representam um grande desafio para os agricultores, já que qualquer atividade agrícola depende de um clima favorável para prosperar. A partir da premissa de que os agricultores podem se tornar grandes aliados do clima, ajudando a retardar os efeitos nocivos das mudanças climáticas adotando boas práticas agrícolas permitem aumentar a eficiência da produção (produzindo mais em uma menor) e fixando mais carbono no solo.

Para isso, os agricultores participantes do programa recebem orientações sobre manejo mais sustentáveis, tecnologias de ponta para análise de solo e dados.

Além de receber pelo que produz (grãos, alimento, ração, etc), os produtores receberiam também pelo volume de carbono sequestrado.

Neste momento são 1.200 agricultores no programa, em uma área equivalente a 60 mil hectares. Parte desses produtores (cerca de 50) estão cedendo amostras de solo para análise detalhadas, contribuindo com a consolidação de uma metodologia adequada para medir carbono na agricultura.

Eles serão acompanhados de perto e, num primeiro momento, a própria Bayer vai comprar os créditos de carbono que emitirem.

Será um incentivo de mercado -no futuro, quando este mercado estiver consolidado, ele vai se sustentar sozinho.

Os demais terão como benefício a mensuração de carbono e oportunidade de acessar esse mercado, quando estabelecido, além de uma parte de qualificação e consultoria quanto a boas práticas sustentáveis e ganho de produtividade.

Fonte: Jornal do Comércio

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