Bayer CropScience prevê área menor de algodão em 2012/13

Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
André Monteiro: apesar do cenário, empresa pretende ampliar sua liderança

Líder em sementes de algodão no país, a Bayer CropScience estima que a área plantada com a pluma poderá cair até 30% nesta safra 2012/13 em razão da queda de seus preços internacionais.

André Kraide Monteiro, diretor operacional da BioScience, divisão de sementes e biotecnologia da companhia, acredita, porém, que o cultivo não deve cair abaixo de 1 milhão de hectares. "Seria economicamente inviável frente à capacidade atual do parque de máquinas", afirma.

Na safra 2011/12, os produtores brasileiros reduziram em 4,4% a área plantada com algodão, para 1,4 milhão de hectares – ainda assim, a segunda maior em 20 anos. Com o aumento dos estoques externos e o arrefecimento da demanda, no entanto, o ajuste deverá ser mais expressivo neste ano.

Mesmo diante do cenário adverso, a Bayer tenta ampliar sua participação de mercado. Para isso, a empresa aposta em sua primeira variedade transgênica resistente ao ataque de lagartas, batizada de WideStrike. A tecnologia, licenciada à Bayer pela Dow AgroScience, foi lançada oficialmente na safra passada, mas em escala ainda pequena.

"Para este ano, projetamos que o porcentual de utilização dessa tecnologia no mercado crescerá de modo significativo", diz Monteiro, sem relevar os números esperados. Neste ano, a Bayer conseguiu a aprovação no Brasil para comercializar duas novas variedades transgênicas, mas os produtos só devem estar disponíveis em escala comercial na temporada 2013/14.

Com elas, a Bayer espera acelerar a adoção da biotecnologia entre os produtores de algodão. De acordo com a consultoria Céleres, os transgênicos estarão presentes em 50% da área plantada com a pluma na próxima safra. Em comparação, soja e milho devem apresentar índices de adoção de 88,1% e 74,9%, respectivamente.

"Se considerarmos que a soja levou uma década para chegar a esses patamares, acho que o ritmo de penetração da tecnologia tem sido rápido no algodão. Em quatro a cinco anos, vamos chegar a 80%", acredita Monteiro.

O executivo disse, ainda, que a empresa não pretende lançar comercialmente a soja com a tecnologia LibertyLink (resistente aos herbicidas à base de glufosinato), liberada no Brasil desde fevereiro de 2010. Segundo ele, a tecnologia, isolada, "não oferece a melhor solução técnica para as condições de produção do Brasil".

O executivo acredita que a tecnologia deverá deslanchar quando puder ser combinada com outros genes, como o Roundup Ready, da Monsanto. "Acreditamos que, em, alguns anos, essas combinações serão comuns. Mas, por enquanto, não existe nada nesse sentido."

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

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