Bayer CropScience fortalece estrutura de pesquisas no Brasil

Favorecida pelo câmbio, a Bayer CropScience, braço agrícola da multinacional alemã, deverá encerrar o ano com um "crescimento importante" do faturamento em real no Brasil, ainda que persista uma certa tensão com o acesso a crédito no país.

"A agricultura ainda é muito rentável, mas essa situação [de dificuldade no acesso aos recursos], em especial na região centro-norte, preocupa", disse ontem Eduardo Estrada, presidente da Bayer CropScience para o Brasil e a América Latina, durante a inauguração de um centro de excelência da divisão, em Paulínia (SP).

Como "importadora de soluções", afirmou Estrada, a CropScience enfrentou este ano fatores críticos que ainda produzirão efeitos em 2016. O clima, lembrou, não foi tão favorável no começo do ano, o que atrasou a safra 2014/15 e provocou uma "sobreposição" com o ciclo seguinte (2015/16).

Houve, ainda, dificuldades em repassar a pressão do câmbio aos preços dos produtos. "Então, a indústria como um todo está vendo uma queda [das vendas]", admitiu. O Brasil é o maior mercado global para defensivos agrícolas. No ano passado, movimentou US$ 12,2 bilhões, de acordo com estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Na avaliação de Liam Condon, CEO global da Bayer CropScience, o país permanecerá sendo "chave" para a empresa, mesmo com a perspectiva de que a economia nacional tenha mais um ano complexo em 2016. De acordo com ele, é "questão de tempo" para que o crescimento volte.

É nesse contexto que se encaixa o novo Centro de Expertise em Agricultura Tropical (CEAT) inaugurado ontem. "É uma plataforma colaborativa para parcerias público-privadas em pesquisa e inovação", resumiu Estrada. O foco está em soja, milho, algodão e citros, e já há uma parceria firmada com a Embrapa.

O projeto é parte do esforço da companhia em desenvolver soluções mais "personalizadas" para o mercado brasileiro, a partir de investimentos no núcleo de pesquisa em Paulínia que somam cerca de R$ 31 milhões nos últimos quatro anos – R$ 22 milhões dos quais aportados em 2015.

As instalações incluem dois novos laboratórios: um dedicado ao monitoramento de resistências a fungicidas, herbicidas e inseticidas, e outro voltado à tecnologia de aplicação de defensivos – o primeiro da múlti fora da Alemanha.

A multiplicação de casos de plantas daninhas resistentes no mundo, especialmente ao herbicida glifosato, fez disparar na última década o custo dos transgênicos e deflagrou uma corrida em busca de saídas contra o problema.

O glifosato é um herbicida não-seletivo que deixa intactas as lavouras com o gene Roundup Ready (RR), da Monsanto – geneticamente modificadas para resistir a ele -, mas mata as demais plantas. Ou matava, porque o produto está perdendo o poder de controle devido sobretudo ao uso massivo.

Assim, a Bayer decidiu concentrar atenções não apenas em ervas daninhas, mas também em fungos e insetos que apresentem resistência aos agroquímicos hoje disponíveis. Em 2014, a divisão agrícola da alemã teve receita de R$ 5,45 bilhões no Brasil, 24% acima de 2013. O valor representou 65% do faturamento total da Bayer no país. De janeiro a setembro de 2015, a indicação é que as vendas se enfraqueceram na América Latina. Mas no bloco que inclui a região, o Oriente Médio e a África houve alta de 6,1%, para cerca de € 1,8 bilhão.

Por Mariana Caetano | De Paulínia (SP)

Fonte : Valor

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